Crescimento da conectividade financeira entre EUA e China ocorre em meio a tensões geopolíticas

Compartilhe essa Informação

Bancos americanos intensificam investimentos em tecnologia chinesa, enquanto fluxo de capital entre EUA e China cresce.

Bancos americanos estão cada vez mais envolvidos em operações de capital no setor tecnológico da China, com um total de 19 transações que somam US$ 17,2 bilhões apenas neste ano. Simultaneamente, o investimento chinês em ações de tecnologia dos Estados Unidos também está em ascensão. Essa dinâmica ocorre em um contexto onde as duas potências estão criando cadeias de suprimentos separadas para inteligência artificial (IA), mas ainda assim, os investidores de ambos os lados continuam a apostar em ambos os mercados.

Os dados sobre essas movimentações financeiras foram obtidos através de registros públicos e plataformas financeiras. As 19 operações realizadas até agora representam cerca de 30% do total de emissões do setor de alta tecnologia chinês em 2026, evidenciando a crescente interdependência entre os mercados de tecnologia dos dois países.

O fluxo de capital é bidirecional. As ações americanas, especialmente as de semicondutores, são altamente valorizadas por fundos mútuos que estão se retirando da China. Os ativos em renda variável dos Estados Unidos, mantidos por investidores de Hong Kong e do continente, aumentaram 23% no último ano, superando a marca de US$ 750 bilhões. Em contrapartida, o financiamento de IA nos Estados Unidos, com a participação de investidores chineses, teve um aumento significativo, passando de US$ 436 milhões em 2023 para cerca de US$ 8,9 bilhões até setembro deste ano.

Bancos de Wall Street no centro da disputa de IA

Grandes instituições financeiras americanas, como Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup, estão diretamente envolvidas nessas operações. Elas atuaram como coordenadores globais em ofertas de empresas como a fabricante de componentes ópticos Zhongji Innolight, que arrecadou US$ 6,8 bilhões em sua listagem em Hong Kong. Além disso, essas instituições também participaram de listagens de outras empresas de tecnologia chinesa, incluindo desenvolvedoras de IA e fabricantes de chips.

Um executivo do setor de IA expressou preocupações sobre a participação de Wall Street em listagens de tecnologia chinesa, comparando a situação a “receber comissão dos dois lados de uma guerra fria”. Ele ressaltou que, independentemente das tensões geopolíticas, a lógica do investidor exige uma presença em ambos os mercados.

Um líder de um fundo de private equity destacou que, apesar das condições geopolíticas voláteis, as empresas e investidores de ambos os países continuam a manter laços e a investir mutuamente. Essa conectividade financeira é vista como essencial para o futuro econômico das duas nações.

Tensões e riscos à conectividade

As relações financeiras têm resistido a restrições impostas pelos Estados Unidos sobre a exportação de tecnologia avançada para a China. Contudo, as regras de investimento ainda permitem a participação de Wall Street em listagens de IA chinesas, o que mantém a dinâmica de investimento ativa.

No entanto, as tensões permanecem. Críticas surgiram contra instituições financeiras que participaram de listagens de empresas chinesas com ligações ao governo, refletindo as preocupações sobre a segurança nacional. Em resposta, um dos bancos afirmou que opera dentro das normas legais e regulatórias, reconhecendo os desafios geopolíticos.

O governo dos EUA também tem ampliado a lista de empresas de tecnologia chinesas que considera uma ameaça, evidenciando a crescente vigilância sobre o setor.

Encontro Trump-Xi em Washington

A interconexão financeira é vista como um mecanismo de estabilização, com analistas apontando que isso pode ajudar a manter relações saudáveis entre os dois países. Esse tema deve ser discutido na reunião entre os presidentes dos EUA e da China, que ocorrerá em breve.

Recentemente, o secretário do Tesouro americano e o vice-premier chinês discutiram a necessidade de um diálogo bilateral sobre IA, visando estabelecer um sistema de notificação para ameaças e objetivos comuns.

Investidores chineses continuam a canalizar recursos para empresas tecnológicas americanas, embora a transparência sobre essas transações seja limitada. Uma empreendedora do setor de IA destacou que a diversificação é crucial, pois a competição entre os EUA e a China no campo da IA deve resultar em múltiplos vencedores, e apostar em apenas um lado pode ser arriscado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *