Vice-governador discute desafios da Reforma Tributária durante balanço do Banrisul
Vice-governador destaca papel crucial do Banrisul na nova realidade econômica do Rio Grande do Sul.
Durante a apresentação do balanço do Banrisul, o vice-governador Gabriel Souza enfatizou a significativa transformação que a Reforma Tributária aprovada em nível nacional trará para a economia do Rio Grande do Sul. Essa reforma não se limita apenas à simplificação de tributos, mas altera também a lógica de arrecadação e a competitividade entre os estados.
A nova estrutura tributária impactará fortemente as empresas, especialmente as do setor agrícola, que representa mais de 40% do PIB gaúcho. As mudanças exigirão uma adaptação dos sistemas de Tecnologia da Informação das empresas, que precisarão implementar novos mecanismos de recolhimento, como o sistema de pagamento fracionado, conhecido como split payment. Esse modelo assegura que, ao receber um pagamento, a empresa já faça a separação do imposto devido, alterando o fluxo de caixa e demandando adequações tecnológicas significativas.
No setor agro, a mudança de um modelo de tributação da produção para um baseado no consumo promete impactar diretamente a competitividade. O novo sistema substituirá incentivos fiscais e créditos presumidos por um ambiente uniforme que elimina a guerra fiscal entre estados.
A disputa por investimentos, antes centrada em benefícios tributários, agora se deslocará para a capacidade de cada estado de subsidiar juros e oferecer financiamento competitivo. O Rio Grande do Sul, que alcançou R$ 92 bilhões em investimentos privados em 2025, precisa manter um equilíbrio fiscal para continuar atraindo capital, especialmente após atingir um recorde de R$ 100 bilhões em 2024.
Gabriel Souza destacou a relevância do Banrisul e do BNDES neste novo cenário econômico. O Banrisul, como banco estadual, desempenhará um papel estratégico na intermediação de crédito e na adaptação ao novo sistema de arrecadação. Sua habilidade em subsidiar juros e apoiar setores estratégicos será fundamental para a competitividade do estado.
Além disso, o BNDES, como principal instituição federal de fomento, terá um papel essencial no financiamento de projetos de infraestrutura, inovação e desenvolvimento, em alinhamento com as políticas estaduais, sendo um facilitador na atração de grandes empreendimentos.
O vice-governador também ressaltou a decisão do governador Eduardo Leite de manter o Banrisul como um banco público, uma escolha considerada estratégica que resultou em uma gestão técnica e eficaz, sem ingerências políticas. Os resultados financeiros do banco foram impressionantes, com um lucro de R$ 1,6 bilhão em 2025, um aumento superior a 75% em relação ao ano anterior, mesmo diante de desafios como estiagens e juros altos.
O Banrisul, que representa mais de 40% da poupança dos gaúchos, é crucial para o desenvolvimento econômico do estado. A manutenção do banco público trouxe benefícios diretos, como a entrega de R$ 350 milhões em dividendos ao Estado, dos quais R$ 150 milhões foram direcionados para subsidiar juros na agricultura, auxiliando os produtores a renegociar suas dívidas.
Ao concluir sua fala, o vice-governador elogiou a administração do Banrisul, ressaltando que a gestão técnica do banco é fundamental para o futuro econômico do Rio Grande do Sul e a promoção de políticas públicas que beneficiem a sociedade.