Negociações entre Trump e Xi sobre terras raras, tarifas, agro e IA e seus impactos no Brasil
Recepção do presidente chinês nos EUA marca discussão sobre relações comerciais entre as duas potências.
O presidente dos Estados Unidos e o presidente da China se reúnem na Casa Branca, em Washington, para discutir os próximos passos da relação entre as duas maiores economias do mundo.
A relação comercial entre os Estados Unidos e a China tem enfrentado tensões significativas nos últimos anos, com o aumento de tarifas e medidas de retaliação por parte de ambos os países.
Os temas em pauta incluem o fornecimento de terras raras, as compras chinesas de produtos agrícolas americanos, a redução de tarifas sobre determinados produtos e as restrições ao comércio de tecnologia.
Para o Brasil, a situação é crítica, especialmente em setores como o agronegócio, com foco na soja, e na mineração, devido à crescente demanda internacional por fornecedores de terras raras fora da China.

Trump e Xi nos Estados Unidos.
Tarifas: uma trégua para ganhar tempo
A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China elevou as tarifas a níveis elevados, antes que negociações subsequentes resultassem em reduções.
Um dos pontos em discussão é a retirada mútua de tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em produtos considerados não sensíveis, abrangendo categorias como produtos agrícolas e energia dos EUA, além de bens de consumo e dispositivos médicos chineses.
As taxas portuárias impostas por ambos os países a navios relacionados ao outro também estão na mesa de negociações.
Os EUA implementaram cobranças para embarcações chinesas que atracam em portos americanos, como parte de uma estratégia para pressionar o setor naval da China.
Em resposta, Pequim impôs taxas sobre navios dos EUA. Embora essas medidas tenham sido suspensas por um ano em um acordo comercial anterior, elas ainda precisam ser resolvidas nas novas negociações.
Mudanças nas rotas comerciais entre as duas economias podem impactar a concorrência por mercados e fornecedores, especialmente em produtos agrícolas e minerais.
Terras raras: o trunfo da China
As terras raras, essenciais para produtos eletrônicos e equipamentos de alta tecnologia, são dominadas pela China, que utiliza controles de exportação como uma ferramenta de pressão nas negociações.
A China representa cerca de 70% da mineração mundial de terras raras e cerca de 90% da produção de ligas e ímãs, o que torna a substituição de fornecedores um desafio para os EUA.
Washington busca garantir um fluxo mais previsível desses minerais críticos, enquanto desenvolve alternativas à dependência da cadeia chinesa.
O Brasil, que possui grandes recursos de terras raras, ainda tem participação limitada na produção e no processamento desses minerais, mas pode se tornar um fornecedor atraente à medida que a demanda por diversificação aumenta.
O país está ampliando conversas com parceiros internacionais para desenvolver seu setor de terras raras, buscando reduzir dependências e riscos relacionados a potências como os EUA e a China.
“O Brasil tem buscado ao longo do ano diversificar parcerias no setor de terras raras, sobretudo com a União Europeia, Austrália e Canadá, justamente para diminuir a dependência e o risco dela com os EUA e a China.”
Agro: a soja está no centro da disputa
A agricultura é um ponto crucial nas negociações, com a China sendo o maior comprador mundial de soja, adquirindo grandes volumes tanto dos EUA quanto do Brasil.
Durante a guerra comercial, tarifas chinesas afetaram a competit