Estudo do Google Cloud revela que apenas 17% das empresas adotam agentes de IA

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Desafios na adoção de inteligência artificial nas empresas brasileiras

O uso de inteligência artificial (IA) nas empresas brasileiras está em crescimento, mas a transição de experimentos para aplicações consolidadas ainda enfrenta barreiras. Apenas 17% das organizações no Brasil alcançaram um estágio de adoção consolidada de IA, enquanto 40% estão em fase de aceleração de suas iniciativas.

Esses dados foram revelados na segunda edição do estudo “Work: In Progress”, apresentado durante o Google Cloud Summit Brasil 2026, em São Paulo. A pesquisa, que abrangeu a realidade das empresas na América Latina, indica que o Brasil supera a média regional, onde apenas 12% das empresas atingiram um estágio consolidado de adoção de IA.

Embora a adoção de IA esteja crescendo, a diferença entre a experimentação e a integração efetiva nos processos corporativos é evidente. No Brasil, 71% dos profissionais afirmam utilizar assistentes de IA no dia a dia, enquanto 59% utilizam agentes de IA em suas atividades profissionais, números que superam a média latino-americana.

Do experimento à produção

Durante uma coletiva de imprensa, executivos do Google Cloud discutiram as dificuldades que as empresas enfrentam para implementar a tecnologia. O diretor de Forward Deployed Engineering para a América Latina destacou que, embora a criação de provas de conceito seja relativamente simples, a implementação em produção requer a consideração de aspectos como segurança e gestão de riscos.

Colocar as aplicações em produção envolve desafios adicionais, como a necessidade de uma arquitetura que suporte escalabilidade e observabilidade. Essas camadas adicionais são frequentemente onde as empresas encontram dificuldades, resultando em um estrangulamento do processo de adoção.

Outro executivo da empresa ressaltou que a evolução da tecnologia está ocorrendo em um ritmo mais acelerado do que a capacitação dos profissionais. A falta de integração da IA nos fluxos de trabalho corporativos e as preocupações com privacidade também são obstáculos significativos para uma adoção mais ampla.

Agentes pessoais entram no ambiente de trabalho

O estudo também revela que a adoção de IA nas empresas não se limita às ferramentas disponibilizadas pelas organizações. No Brasil, 38% dos profissionais utilizam regularmente agentes pessoais de IA para realizar tarefas de trabalho, e 59% deles consideram essa prática de baixo risco para suas empresas.

As razões para o uso de ferramentas pessoais incluem a falta de recursos de IA oferecidos pelas empresas e a dificuldade de integração das ferramentas corporativas com outras aplicações. Além disso, muitos profissionais acham que seus agentes pessoais são mais fáceis de acessar e utilizar, e se sentem mais seguros ao usá-los.

A pesquisa também apontou que 46% dos profissionais brasileiros preferem agentes de IA que sejam integrados nativamente às ferramentas de trabalho, uma preferência maior do que a média na América Latina.

Medo de substituição acompanha avanço da IA

Com o avanço da IA, muitos profissionais expressam preocupações sobre a automação de suas funções. O estudo indica que 62% dos trabalhadores brasileiros temem que a programação de uma IA para realizar partes de seu trabalho possa torná-los dispensáveis. Ao mesmo tempo, 75% afirmam não saber como utilizar a IA de maneira eficaz.

Para que a adoção corporativa de IA avance, é fundamental criar ambientes que combinem acesso à tecnologia com governança e segurança. A integração efetiva nos sistemas empresariais pode diminuir a dependência de ferramentas pessoais e permitir que o uso de IA se expanda para processos mais críticos dentro das organizações.

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