Em 1946, sinal enviado pelo exército dos EUA à Lua revela fenômeno considerado impossível por físicos
Projeto Diana: o primeiro eco da Lua que desafiou a física.
Em janeiro de 1946, um grupo de engenheiros do Exército dos Estados Unidos realizou uma experiência pioneira ao direcionar um radar da Segunda Guerra Mundial para a Lua. O objetivo era enviar um sinal ao espaço e aguardar seu retorno, algo inédito na época.
Cerca de 2,5 segundos após o envio, um pulso foi detectado em um osciloscópio, comprovando que o sinal havia viajado aproximadamente 768.000 quilômetros e retornado à Nova Jersey. Esse feito resolveu uma questão que intrigava os cientistas sobre a viabilidade de comunicações a longas distâncias.
O Projeto Diana surgiu em um contexto onde o laboratório de Camp Evans, em Fort Monmouth, se dedicava ao aprimoramento de radares e à análise de tecnologia inimiga. A preocupação com o potencial dos foguetes V2 alemães, que podiam alcançar o espaço, levou o Pentágono a investigar se seria possível detectar armas a grandes distâncias.
O tenente-coronel John H. DeWitt Jr. e sua equipe foram encarregados de descobrir se o radar poderia rastrear tais ameaças. No entanto, como a arma ainda não existia, a equipe decidiu usar a Lua como alvo. O sucesso em enviar um sinal e capturar seu eco demonstraria até onde a tecnologia poderia chegar.
Com recursos limitados, a equipe modificou um radar SCR-271 e conectou-o a uma matriz de dipolos. Assim, a exploração espacial dos Estados Unidos começou a partir da reciclagem de tecnologia militar.
As comunicações de longa distância até então dependiam da reflexão de sinais na ionosfera. A dúvida era se um sinal enviado na direção oposta conseguiria atravessar a atmosfera e retornar com intensidade suficiente para ser detectado. Apesar de os cálculos indicarem que isso era possível, ninguém havia demonstrado tal feito anteriormente.
O experimento, que exigia precisão, enfrentou desafios operacionais. A antena só podia girar lateralmente, limitando a janela de tempo para capturar o eco lunar. Em 10 de janeiro de 1946, DeWitt e Stodola enviaram pulsos a 111,5 MHz e, após 2,5 segundos, observaram o eco no osciloscópio, confirmando a teoria.
Os testes foram repetidos nos dias seguintes para garantir a consistência dos resultados. Embora a utilidade militar imediata do Projeto Diana tenha sido limitada, ele abriu caminho para a astronomia por radar, permitindo que cientistas enviassem sinais para estudar objetos celestes e obtivessem informações sobre suas características.
O Projeto Diana não só provou a viabilidade de comunicações espaciais, mas também estabeleceu as bases para futuras explorações, incluindo a comunicação com satélites em órbita. A técnica Terra-Lua-Terra (EME) continua a ser utilizada por radioamadores, que aproveitam a Lua como um refletor para comunicações.
Em 2019, o IEEE reconheceu o Projeto Diana como um marco histórico da engenharia, destacando seu papel fundamental no início da era espacial. O experimento, que começou com um radar reaproveitado e uma janela de 40 minutos, provou que a comunicação com o espaço era não apenas possível, mas uma realidade em ascensão.