Brasileiro é premiado na Alemanha por pesquisa em inteligência artificial para diagnóstico de transtornos mentais

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Pesquisador brasileiro utiliza inteligência artificial para diagnóstico de transtornos mentais.

Francisco Rodrigues, da Universidade de São Paulo (USP), é um dos 20 cientistas agraciados com o prêmio Friedrich Wilhelm Bessel da Fundação Alexander von Humboldt.

Estudos liderados por Rodrigues demonstram que métodos baseados em inteligência artificial (IA) são eficazes para diagnosticar transtornos mentais, alcançando uma precisão superior a 90% em testes laboratoriais.

Para isso, foram utilizadas imagens de ressonância magnética para treinar um algoritmo que identifica condições mentais. Os resultados dessa pesquisa foram publicados em revistas científicas renomadas.

“Conseguimos identificar quais regiões foram alteradas em uma pessoa com epilepsia, autismo ou esquizofrenia, por exemplo, e entender quais alterações estão relacionadas com aquele transtorno”, explica Rodrigues.

A técnica está em fase inicial de desenvolvimento e pode ajudar psicólogos e psiquiatras a diagnosticar automaticamente esses transtornos, especialmente em casos com sintomas semelhantes que geram incertezas.

Atualmente, o diagnóstico é realizado com base na avaliação do histórico dos pacientes e aplicação de testes, mas não existem marcadores definitivos para transtornos mentais, ao contrário do que ocorre com doenças como diabetes.

“A ideia é de que no futuro, um escaneamento do cérebro seja capaz de dizer se a pessoa tem depressão ou outra questão”.

Coleta de dados é desafio

As análises em São Paulo utilizam imagens de exames de ressonância magnética e eletroencefalograma (EEG) que mapeiam a atividade cerebral de pacientes saudáveis e aqueles com transtornos.

Coletar esses dados apresenta desafios, pois os EEG podem ser imprecisos e as ressonâncias são complexas de realizar. A pesquisa enfrenta limitações quanto ao número de participantes, o que pode prejudicar a precisão dos métodos.

Rodrigues observa que o número limitado de participantes é um obstáculo, já que a máquina precisa de uma quantidade significativa de dados para aprender e melhorar sua precisão.

Colaboração Brasil-Alemanha

Rodrigues busca dados por meio de técnicas como minicérebros na Alemanha, um país que possui infraestrutura para coletar esses dados de forma mais eficiente.

O prêmio que recebeu inclui um financiamento significativo, que será utilizado para avançar em suas pesquisas e fortalecer a colaboração internacional.

Os minicérebros são criados a partir de células do córtex cerebral de embriões animais, permitindo a captura da atividade neuronal. Esses dados serão fundamentais para testar intervenções e entender como elas afetam as redes neurais.

Rodrigues, que possui uma longa trajetória de colaboração com instituições alemãs, planeja continuar seus estudos em Frankfurt, onde também ministrará cursos sobre sistemas complexos e aprendizagem de máquina.

Apesar das expectativas otimistas, ele alerta que um método abrangente para previsão e diagnóstico de transtornos mentais pode levar até dez anos para ser implementado, devido à necessidade de aprovação regulatória e à complexidade do processo de coleta de dados.

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