Após discursos de enfrentamento, Câmara mantém veto do prefeito e arquiva projeto de reajuste
Expectativa de embate em plenário não se confirma e votação ocorre sem manifestações individuais
Depois de uma semana marcada por discursos firmes e sinalizações de enfrentamento ao Executivo, a Câmara de Vereadores de Caxias do Sul acabou mantendo, por unanimidade, o veto total do prefeito Adiló Didomenico ao Projeto de Lei 4/2026, que previa ganho real de 2,5% aos servidores do Legislativo e aos segurados do FAPS vinculados ao Parlamento. Com a decisão tomada na sessão ordinária desta quinta-feira (12/02), a matéria foi arquivada.
A votação era cercada de expectativa. Nos dias que antecederam a deliberação, vereadores utilizaram a tribuna para defender a autonomia do Legislativo e chegaram a indicar que não aceitariam a interferência do Executivo em matéria interna da Casa. Também houve críticas à coletiva de imprensa concedida pelo prefeito, na qual, ao anunciar aumento do IPTU, mencionou impactos financeiros e posicionamentos da Câmara — gesto interpretado por parlamentares como tentativa de transferir desgaste político ao Legislativo.
O clima, portanto, indicava possível derrubada do veto, o que exigiria maioria qualificada. Parte dos pronunciamentos dava a entender que a Casa buscaria afirmar sua competência administrativa e prerrogativas institucionais.
No entanto, no momento decisivo, o cenário foi distinto do esperado. O parecer foi lido pelo relator, colocado em votação e aprovado sem pedidos de destaque, encaminhamentos ou declarações individuais de voto. A manutenção do veto ocorreu de forma unânime e sem debates adicionais em plenário.
Nas razões do veto, o prefeito argumentou vício de origem, sustentando que a iniciativa trataria de matéria cuja competência não seria do Legislativo. O projeto, de autoria da Mesa Diretora presidida pelo vereador Wagner Petrini (PSB), estabelecia reajuste escalonado: 2% a partir de janeiro de 2026 e 0,5% a contar de abril, totalizando 2,5% de ganho real.
Com o resultado, a proposta ficou inviabilizada e arquivada. O desfecho contrastou com o tom adotado nos dias anteriores e encerrou, sem embate formal, um episódio que havia elevado a temperatura entre os dois Poderes ao longo da semana.
Foto: Divulgação/ Câmara Municipal de Caxias do Sul/ Manoela da Rosa
