Lula condiciona participação em debate da Globo ao confronto com Flávio, afirma Edinho
PT avalia participação de Lula em debate com Flávio Bolsonaro, dependendo das regras estabelecidas.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou que a participação de Luiz Inácio Lula da Silva no debate da TV Globo, agendado para 1º de outubro, está condicionada ao formato que permitirá um confronto direto com Flávio Bolsonaro.
Edinho revelou que Lula tem interesse em participar e utilizar o debate para apresentar suas propostas em contraste com as do adversário. No entanto, a presença do ex-presidente dependerá das regras que regerão a interação entre os candidatos. Flávio Bolsonaro já confirmou sua participação no evento.
“O presidente Lula quer muito confrontar o Flávio Bolsonaro. É o que ele mais quer. Agora, ele quer um modelo de debate onde ele possa confrontar o que ele defende para o Brasil com aquilo que a família Bolsonaro defende”, afirmou Edinho.
O dirigente petista ressaltou que um formato em que Lula tenha que esperar a vez de outros candidatos para fazer perguntas dificultaria a dinâmica de confronto desejada. “Se for um modelo de debate onde o presidente Lula faz uma pergunta e fica meia hora esperando para fazer a segunda, evidente que esse confronto de ideias não vai acontecer”, explicou.
Edinho destacou que Lula está disposto a participar dos debates, desde que as regras permitam uma interação mais direta com Flávio. Caso contrário, o ex-presidente poderá optar por não comparecer, aguardando o segundo turno, onde a disputa se restringiria a ele e Flávio.
“Se for esse modelo, evidente que o presidente Lula não irá ao debate e vai ficar aguardando o 2º turno”, disse Edinho, referindo-se à possibilidade de ambos avançarem para a próxima fase da eleição.
CONFRONTO COM FLÁVIO
Edinho indicou que, em um eventual embate direto, o PT pretende abordar temas como segurança pública, a gestão do governo anterior durante a pandemia de covid-19 e a relação de Flávio Bolsonaro com os Estados Unidos.
Além disso, o dirigente mencionou a necessidade de Flávio responder sobre suas ligações com milicianos do Rio de Janeiro, além de esclarecer suas posições sobre minerais críticos e o sistema de pagamentos Pix.
RETA FINAL
Na mesma entrevista, Edinho anunciou que a estratégia do PT na última semana antes do primeiro turno será intensificar as comparações entre Lula e Flávio, abordando temas como segurança pública, política econômica e democracia.
O presidente do PT reconheceu a necessidade de mudanças no governo, mencionando a importância de correções de rotas e reformas para melhorar a qualidade do gasto público e aumentar a capacidade de investimento.
“Nós sabemos que precisamos fazer correção de rotas, que precisamos melhorar a qualidade do gasto público e fazer reformas no governo e no modelo de Estado brasileiro”, destacou.
CRISE NO STF E PESQUISAS
Sobre as pesquisas eleitorais, Edinho associou o cenário atual à crise no Supremo Tribunal Federal, que, segundo ele, gera um desejo de mudança na população.
“A crise envolvendo a Suprema Corte brasileira é talvez a maior crise institucional das últimas décadas, pois envolve o Poder Judiciário e a proteção da democracia”, afirmou.
Edinho considerou legítimo o anseio por mudanças e defendeu que Lula pode se posicionar como um representante dessas transformações, apresentando propostas de reforma do Judiciário e do sistema político.