Eleições podem ser decididas no primeiro turno e Flávio Bolsonaro pode se tornar um presidente impopular, afirma Mauricio Moura, do Zaftra

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Possibilidade de definição da eleição presidencial no primeiro turno é discutida por especialista.

O cenário atual para a eleição presidencial brasileira, conforme análise de Mauricio Moura, sócio do Zaftra Fund, indica que a disputa pode ser decidida em um segundo turno. No entanto, ele ressalta que a chance de uma definição já no primeiro turno, que ocorrerá no próximo domingo (4), não pode ser ignorada. Essa possibilidade está intrinsicamente ligada ao fenômeno do “não-voto”, que se refere à soma de votos brancos, nulos e abstenções.

Moura aponta que, se o índice de não-voto alcançar entre 31% e 32%, a probabilidade de uma decisão no primeiro turno aumenta significativamente. Essa análise foi apresentada durante o TAG Summit 2026, evento que ocorreu nesta terça-feira (29).

Em um cenário onde a eleição pode ser decidida no primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, são os principais candidatos. Contudo, Moura acredita que Flávio possui uma vantagem devido a dois fatores principais: o “antipetismo de chegada” e o perfil do eleitor que tende a se abster. O crescimento de candidatos viáveis contra Lula, especialmente na reta final da campanha, tem sido uma característica observada desde 2014.

O especialista destaca que o antipetismo de chegada é mais forte neste momento, favorecendo Flávio, visto que seus principais adversários são de oposição. Além disso, cerca de 20% dos eleitores que não comparecem às urnas pertencem a camadas de baixa renda e baixa escolaridade, o que impacta diretamente o desempenho de Lula. Em 2022, a ausência de 5 milhões de analfabetos nas eleições teve um efeito negativo sobre o petista, que perdeu entre 1,5 e 2,5 pontos percentuais devido à abstenção.

Por outro lado, existem fatores que podem beneficiar Lula na reta final da campanha. A energia da campanha de Flávio é considerada baixa, e Moura observa que ele possui menos engajamento e popularidade em comparação com seu pai, Jair Bolsonaro. Para Lula, a estratégia deve ser aumentar a aprovação do seu governo, que gira em torno de 46%, e garantir uma vantagem confortável sobre o segundo colocado para ter chances reais no segundo turno.

Flávio pode enfrentar impopularidade se eleito

Caso Flávio Bolsonaro seja eleito, independentemente do turno, ele pode rapidamente se tornar um presidente impopular, enfrentando resistência do Centrão e do Congresso. Moura destaca que, embora a vitória de Flávio possa gerar otimismo no mercado, a capacidade dele de atender às expectativas será desafiadora. A impopularidade pode surgir rapidamente, com uma parte significativa da coalizão que o apoiou na eleição não demonstrando boa vontade.

O executivo prevê que as três semanas de campanha do eventual segundo turno serão intensas, caracterizadas por um clima de “tudo ou nada”, com acusações e fake news dominando o cenário. Essa situação pode resultar em um aumento da abstenção, uma vez que ambos os candidatos enfrentam altos índices de rejeição.

Desconexão do mercado com a realidade

A euforia em torno da vitória de um candidato de oposição a Lula reflete uma desconexão do mercado em relação ao mundo real, segundo Moura. Ele ressalta que a percepção do mercado sobre o que é benéfico para a economia difere significativamente da opinião pública. Essa discrepância pode influenciar as expectativas e decisões econômicas no futuro.

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