Estudo revela que duas espécies de aves brasileiras estão entre as mais barulhentas
Duas aves brasileiras estão entre as mais barulhentas do mundo, com cantos que superam 120 decibéis.
Duas aves encontradas no Brasil se destacam por seus cantos extremamente altos: a araponga-de-garganta-nua e a seriema. Ambas as espécies foram registradas com cantos que ultrapassam 120 decibéis (dB), um volume comparável ao de ferramentas pesadas, como motosserras e britadeiras.
A pesquisa que revelou essas informações foi realizada por um grupo de cientistas da Universidade de Massachusetts Amherst, incluindo um pesquisador brasileiro. O estudo não se limitou a identificar as aves mais barulhentas, mas buscou entender as características físicas que influenciam a intensidade dos cantos e a relação do volume com o ambiente e a organização social das espécies.
Os pesquisadores analisaram a amplitude dos cantos de 123 espécies de aves em Massachusetts e em diversas regiões do Brasil. Dentre as espécies estudadas, 113 nunca haviam tido seus cantos catalogados em termos de volume.
Os resultados mostraram que a araponga-de-garganta-nua e a seriema emitem os sons mais altos já medidos, com a primeira alcançando picos de 122,4 dB a um metro de distância, e até 131 dB em medições individuais. Essas descobertas colocam as aves em uma categoria sonora que rivaliza com equipamentos de construção.
Além disso, a pesquisa contextualiza um recorde anterior, onde a araponga-branca, da Amazônia, foi identificada como a ave com o canto mais alto já documentado, alcançando 125,4 dB, fato reconhecido pelo Guinness World Records.
A pesquisa também levantou questões sobre as razões evolutivas para a produção de sons tão intensos. Os cientistas consideraram hipóteses como a possibilidade de aves mais barulhentas serem menos ágeis em voo, utilizando o som para compensar essa limitação, ou a necessidade de se comunicar em florestas densas onde a visibilidade é reduzida.
Os pesquisadores identificaram que o tamanho corporal e a largura da abertura do bico são características que ajudam a explicar as diferenças de volume entre as aves. Aves maiores tendem a produzir sons mais altos, e aquelas com bicos mais largos podem amplificar o som, semelhante a instrumentos musicais.
Embora essas descobertas ajudem a entender como algumas aves conseguem emitir sons tão altos, ainda há lacunas sobre por que essa capacidade evoluiu. Os cientistas destacam que, apesar de fatores como habitat e sistema de acasalamento serem importantes, não explicam totalmente a evolução do canto intenso.
Medir o volume dos cantos na natureza é um desafio, pois a amplitude do som varia com a distância do equipamento. Para superar isso, os pesquisadores utilizaram telêmetros a laser e medidores de som portáteis para realizar medições precisas em campo.
O estudo, embora tenha respondido a algumas perguntas, deixou muitas em aberto. As questões sobre os mecanismos que permitem a produção de sons tão intensos e as vantagens evolutivas dessa capacidade permanecem sem resposta. Os pesquisadores pretendem investigar mais a fundo a relação entre o canto alto e a sobrevivência das espécies, considerando também os possíveis custos de se destacar sonoramente em um ambiente natural.