Debate na Globo destaca disputa entre Haddad e Tarcísio sobre gestão das Casas Bahia
Debate entre Tarcísio e Haddad destaca a crise fiscal do Brasil
O debate para o governo de São Paulo, transmitido pela TV Globo, surpreendeu os telespectadores ao focar na situação fiscal do Brasil, em vez de temas tradicionais como saúde e educação. Essa abordagem pode ser um sinal do que esperar nas eleições de 2030.
Tarcísio de Freitas, atual governador e candidato pelo Republicanos, iniciou a discussão questionando a situação de empresas em recuperação judicial, citando exemplos como Casas Bahia, Tok&Stok, Habib’s e Marabraz. Ele destacou que o país enfrenta um recorde de dívidas, com 9 milhões de empresas devendo mais de R$ 200 bilhões.
Em resposta, Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, lembrou do déficit deixado pela gestão anterior, que ultrapassou os R$ 200 bilhões. Ele defendeu sua atuação ao saldar dívidas que considerava urgentes, contrastando com a postura do governo anterior.
Haddad também criticou as elevadas taxas de juros, que contribuem para o endividamento das empresas, afirmando que a taxa atual de 13,75% é a mesma que ele herdou. Ele argumentou que a situação das contas públicas é melhor agora do que durante a administração de Jair Bolsonaro.
O ex-ministro destacou que o atual governo está promovendo ajustes, como o aumento do salário mínimo e a atualização da tabela do Imposto de Renda. Ele enfatizou a importância de cobrar dos mais ricos para compensar a perda de arrecadação.
Casas Bahia foi mencionada novamente, quando Haddad reprovou as acusações de pedofilia contra o fundador da empresa, Samuel Klein, afirmando que não defenderia um empresário que cometeu crimes.
Milei e dívida
Tarcísio continuou a discutir a situação fiscal, mencionando que, apesar dos desafios impostos pela pandemia, o governo anterior conseguiu reduzir a relação dívida/PIB. Ele alertou que a dívida bruta atual está em R$ 10 trilhões, com um déficit nominal de 8,6% do PIB, questionando a razoabilidade dessa situação.
O candidato do Republicanos também criticou os altos gastos do governo federal, sugerindo que a falta de ajustes está afetando a vida dos cidadãos, que enfrentam dificuldades financeiras e aumento da inflação.
Haddad, por sua vez, insinuou que Tarcísio apoia o modelo econômico do presidente argentino Javier Milei, que esteve em São Paulo para apoiar sua candidatura. Ele questionou se essa era realmente a proposta econômica que Tarcísio desejava para o Brasil.
Tarcísio defendeu Milei, afirmando que ele está lidando com uma situação complexa na Argentina e que está obtendo resultados positivos.