Toffoli enfrenta conflitos com a PF durante atuação no caso Master

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Ministro Dias Toffoli se retira do caso do Banco Master após divergências com a Polícia Federal.

A saída do ministro Dias Toffoli do caso do Banco Master foi anunciada nesta quinta-feira, encerrando um período de tensões entre o relator e a Polícia Federal. Apesar de os ministros terem rejeitado a suspeição de Toffoli por unanimidade, ele decidiu redistribuir a relatoria por sorteio após uma reunião interna na Corte. O novo relator será escolhido ainda hoje.

As investigações sobre possíveis fraudes do Banco Master contra o sistema financeiro nacional foram enviadas ao Supremo Tribunal Federal em 2 de dezembro do ano passado, a pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, que é considerado o líder do esquema.

Um dos primeiros conflitos ocorreu em 24 de dezembro de 2025, quando Toffoli ordenou a realização de depoimentos e acareações envolvendo Vorcaro, o ex-presidente do BRB e um diretor do Banco Central. Esta acareação foi determinada sem solicitação prévia dos investigadores, o que gerou descontentamento.

Toffoli justificou a necessidade de colheita dos depoimentos com a intenção de evitar manipulação de provas e versões. Os depoimentos foram realizados em 30 de dezembro de 2025, e, durante os relatos, surgiram desavenças entre o juiz do gabinete de Toffoli e a delegada da PF. A divulgação dos vídeos da acareação foi antecipada em 29 de janeiro deste ano.

OPERAÇÃO COMPLIANCE

No dia 14 de janeiro, durante a 2ª fase da operação Compliance Zero, Toffoli questionou a Polícia Federal sobre um possível atraso logístico da operação, que deveria ter ocorrido no dia anterior. O ministro expressou preocupação com a possibilidade de fuga de Fábio Zettel, cunhado de Vorcaro.

Em resposta, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação não se omitiu e que as dificuldades operacionais foram comunicadas ao STF antes do prazo estipulado. Ele explicou que o atraso se deu devido a outras operações complexas programadas para o dia anterior e a necessidade de garantir a efetividade das ações.

PROVAS DA OPERAÇÃO

Outro ponto de atrito entre Toffoli e Andrei foram as provas coletadas pela PF na 2ª fase das investigações. Inicialmente, Toffoli havia determinado que todos os materiais apreendidos fossem lacrados e armazenados no STF para futura perícia, visando evitar vazamentos.

Horas depois, o ministro alterou sua decisão, retirando da PF a responsabilidade pela perícia e delegando esta tarefa à Procuradoria Geral da República. Ele também criticou o Banco Central por suas “vulnerabilidades” na regulação e fiscalização.

A PF argumentou que a nova determinação dificultava o progresso da investigação, destacando o risco de autodestruição de dispositivos eletrônicos. Em ofício, Andrei pediu que Toffoli reconsiderasse sua decisão, enfatizando a necessidade de acesso rápido às provas.

No dia seguinte, Toffoli indicou quatro peritos de confiança da PF para analisar os dados dos celulares de Daniel Vorcaro e as demais evidências coletadas nas investigações. Essa escolha buscou assegurar a integridade das provas e a continuidade das investigações relacionadas ao Banco Master.

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