Super-ricos nos Estados Unidos aumentam desigualdade em relação aos demais ricos
Concentração de riqueza nos EUA atinge níveis alarmantes, com o 0,1% mais rico dobrando seu patrimônio desde 2019.
O 0,1% mais rico dos Estados Unidos viu seu patrimônio mais que dobrar desde o final de 2019, aumentando a disparidade em relação aos demais cidadãos de alta renda. Este grupo, composto por aproximadamente 137 mil famílias, agora detém cerca de US$ 28 trilhões, o que representa 15% da riqueza total do país.
Desde 2019, o patrimônio desse seleto grupo cresceu em impressionantes US$ 14,5 trilhões. Deste montante, cerca de US$ 10 trilhões foram gerados pela valorização de ações e fundos mútuos, segundo dados do Federal Reserve que abrangem até junho de 2026. A média de riqueza por família desse grupo supera os US$ 200 milhões.
A valorização do mercado acionário desempenhou um papel crucial nesse crescimento recente. Entre junho de 2022 e junho de 2023, o índice S&P 500 apresentou uma alta de 21%. Durante esse período, o 0,1% mais rico acumulou quase US$ 4 trilhões em nova riqueza proveniente do mercado financeiro.
A discrepância na concentração de riqueza se torna ainda mais evidente ao comparar o 0,1% com os 10% mais ricos. Este último grupo acumulou US$ 38,2 trilhões desde 2019, mas esse valor foi dividido entre quase 100 vezes mais famílias, acentuando a desigualdade.
Uma família pertencente ao 0,1% mais rico possui, em média, mais de 3.000 vezes a riqueza de uma família que se encontra na metade inferior da distribuição de renda do país. Essa diferença significativa destaca a crescente polarização econômica.
As fontes de renda também variam consideravelmente entre os mais ricos. Aproximadamente 37% desse grupo obtém sua principal renda de negócios, enquanto 26% dependem principalmente de ganhos de capital. Apenas 10% dos integrantes desse grupo têm salários como sua principal fonte de renda, segundo análises elaboradas por economistas que estudam os dados do Federal Reserve.