André Mendonça assume relatoria do caso Banco Master no STF após saída de Dias Toffoli
Troca de relatoria ocorre em meio a polêmica e investigação segue sob nova condução no Supremo Tribunal Federal
O ministro André Mendonça foi sorteado como novo relator do inquérito que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), após o ministro Dias Toffoli deixar a relatoria do processo nesta quinta-feira (12/02/2026). A decisão foi formalizada em reunião dos dez ministros da Corte, sob a coordenação do presidente Edson Fachin, e marca uma nova etapa na condução do caso.
Por que Toffoli deixou a relatoria
Toffoli, que era responsável pela investigação desde novembro de 2025, comunicou à Presidência do STF sua intenção de afastar-se da relatoria após uma reunião com seus colegas da Corte. Isso ocorreu após a Polícia Federal (PF) entregar relatórios que incluíam menções ao nome do ministro em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, o que motivou debates sobre a condução do processo.
Embora os ministros tenham divulgado uma nota conjunta afirmando que não havia motivo formal para a suspeição ou impedimento de Toffoli, reconheceram “a plena validade dos atos praticados por ele na relatoria” e expressaram apoio pessoal ao magistrado. Ainda assim, Toffoli optou por solicitar a redistribuição do caso, citando “altos interesses institucionais”, abrindo caminho para escolha de um novo relator.
Novo relator: quem é André Mendonça
O ministro André Mendonça, integrante do STF desde 2020, foi sorteado para conduzir a investigação do caso Master após a saída de Toffoli. Mendonça já atua como relator de outros processos de relevância no tribunal, incluindo inquéritos que tratam de questões sociais e tributárias. A redistribuição do caso foi feita de forma aleatória entre os ministros da Corte, conforme o rito interno do STF.
Com a nova relatoria, Mendonça herda o acervo de apurações e será responsável por decidir os próximos passos da investigação, como pedidos de diligência, análise de provas, requisições à Polícia Federal ou à Procuradoria-Geral da República (PGR) e, se for o caso, a necessidade de novos interrogatórios ou medidas cautelares.
O que está sendo investigado
O inquérito do Banco Master foi remetido ao STF por envolver pessoas com foro privilegiado, como autoridades com prerrogativa legal para responder a processos diretamente na mais alta Corte do país. A investigação central tem foco em supostas fraudes na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) e em outras irregularidades financeiras que teriam impactado o sistema bancário.
No relatório periciado pela PF, constavam menções ao nome de Toffoli no celular de Vorcaro, o que intensificou a atenção sobre o caso e gerou pedidos externos para que o ministro se afastasse da condução do processo. Toffoli, por sua vez, admitiu em nota que possui participação societária em uma empresa que vendeu participação em um empreendimento ao fundo controlado pelo cunhado de Vorcaro, mas negou qualquer pagamento ou relação financeira direta com o banqueiro.
Contexto político e judicial
A saída de Toffoli da relatoria ocorre em um momento de grande repercussão jurídica e política do caso. O inquérito ganhou atenção pública depois que a liquidação do Banco Master pelo Banco Central em novembro de 2025 gerou preocupações sobre fraude contábil e supervisão regulatória. A investigação no STF envolve irregularidades que, se confirmadas, podem resultar em consequências para executivos, autoridades e instituições envolvidas.
Especialistas ouvidos por veículos de imprensa observam que a mudança de relatoria pode influenciar a condução dos próximos passos, embora a própria Corte tenha enfatizado que a legalidade dos procedimentos já adotados por Toffoli foi mantida, e que a redistribuição pretende garantir a continuidade do processo de forma transparente e institucional.
Próximos passos
Com André Mendonça como novo relator, espera-se que nas próximas semanas o STF dê nova movimentação ao inquérito, definindo eventuais pedidos de informação a órgãos reguladores, novas diligências à PF ou encaminhamentos para a PGR. As decisões do relator serão fundamentais para determinar se o caso seguirá para etapas de instrução adicional ou para outras fases processuais, inclusive análise de eventual responsabilização criminal ou cível dos investigados.
O desenrolar desses procedimentos será monitorado de perto pelo meio jurídico e pela opinião pública, dado o impacto potencial do caso Master em temas como governança institucional, supervisão financeira e integridade do sistema bancário brasileiro.
Foto: Divulgação/ STF
