China aumenta tarifa sobre carne brasileira para 67% após término da cota de exportação
China impõe tarifa adicional de 55% sobre exportações de carne brasileira
A partir de 1º de outubro, as exportações de carne brasileira para a China enfrentarão uma nova tarifa adicional de 55%. Esta medida, que se soma ao imposto de 12% já existente, resulta em uma carga tributária total de 67% para os produtos que ultrapassarem a cota anual.
O aumento na tarifa foi motivado pelo esgotamento da cota de vendas sem sobretaxa, que ocorreu no dia 29 de setembro. A China é o maior importador da carne bovina brasileira, e a cota deste ano foi de 1,106 milhão de toneladas.
Para 2027, o limite de exportação sem sobretaxa aumentará para 1,128 milhão de toneladas, mas especialistas do setor alertam que essa cota pode ser esgotada rapidamente, possivelmente já em março ou abril, o que poderia agravar a situação financeira do setor.
“Se for o que estamos esperando, pode haver final da cota em março, mais tardar em abril, o que é muito ruim para todo o setor. Sairemos de três meses de sufoco para seis”, afirmou um representante do setor.
A diferença em relação a 2027 é que os produtores poderão se preparar melhor, acelerando os embarques, uma vez que já conhecem o volume que podem exportar sem a sobretaxa. No ano anterior, a cota foi anunciada muito em cima da hora, dificultando a organização dos frigoríficos e pecuaristas.
Com o conhecimento prévio da cota, os exportadores estão se mobilizando para garantir espaço antes mesmo do início do novo período de vendas. A expectativa é que os abates comecem ainda em outubro, com os embarques programados para novembro, visando que a carne chegue à China em janeiro de 2027. O transporte marítimo entre Brasil e China leva entre 40 a 45 dias.
Se as vendas se concentrarem no início do ano, há a possibilidade de que o ritmo de negócios diminua ao longo de 2027, dependendo da demanda chinesa. Atualmente, os estoques de carne bovina na China estão elevados, assim como a produção de carne suína, o que pode impactar a compra de carne brasileira.
Os frigoríficos precisam se antecipar para garantir vendas, mas ainda enfrentam incertezas sobre a demanda chinesa.
Além disso, as exportações já começaram a perder força antes mesmo do esgotamento da cota, afetando a lucratividade dos frigoríficos. A queda nas vendas para a China obrigou muitas empresas a redirecionarem seus produtos para outros mercados, resultando em margens de lucro reduzidas.
A situação financeira dos frigoríficos também está sendo afetada, pois muitos deles dependem de pagamentos antecipados dos compradores chineses para cobrir despesas operacionais. Com a diminuição das vendas, a entrada de recursos financeiros está comprometida.
Para evitar que a cota acabe tão cedo e distribuir melhor as vendas ao longo de 2027, a Abiec voltou a discutir com o governo uma divisão do volume entre os frigoríficos, permitindo que cada empresa tenha uma parte definida por critérios como a participação nas exportações.
A entidade já havia tentado implementar uma proposta semelhante para 2026, mas o governo optou por não realizar a divisão. Com a entrada de novos frigoríficos brasileiros no mercado chinês, a competição por cotas se intensifica.
Recentemente, a China autorizou mais duas unidades brasileiras a exportar carne bovina: a Supremo Carnes, de Carlos Chagas (MG), e a Masterboi, de Canhotinho (PE). Também foram autorizadas duas unidades de carne de frango, ampliando as oportunidades de exportação.