Petrobras aumenta preço médio do querosene de aviação em 11,76%
Petrobras aumenta preço do querosene de aviação em 11,76%
A Petrobras anunciou um reajuste de 11,76% no preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, com o novo valor em vigor a partir de 1º de outubro de 2026. O preço médio do combustível passou de R$ 5,585 para R$ 6,242 por litro.
Este é o terceiro aumento consecutivo da estatal, que já havia reajustado o QAV em 13,9% em setembro e 1,9% em agosto. Anteriormente, em junho e julho, a empresa havia reduzido os preços em 14,2% e 14,4%, respectivamente.
Os preços do QAV são atualizados mensalmente, e desde o início do conflito no Oriente Médio em março, houve um aumento acumulado de 74% no valor do combustível, que subiu de R$ 3,592 para R$ 6,242 por litro.
PRESSÃO SOBRE AS AÉREAS
Esse aumento de preço intensifica a pressão sobre os custos das companhias aéreas, que antes da guerra já enfrentavam despesas operacionais significativas com combustível, representando entre 30% e 32% de seus custos. Com a alta recente, essa porcentagem já ultrapassa 45%, conforme dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
Em agosto, a Abear estimou que as principais companhias aéreas brasileiras, como Latam, Gol e Azul, gastaram R$ 5,2 bilhões a mais do que o previsto em 2026 em razão do aumento das cotações internacionais. Essa elevação de custos levou as empresas a reduzir a oferta de voos e a retirar aeronaves de maior porte de circulação em determinados períodos do ano.
Para mitigar os impactos financeiros imediatos dos reajustes, a Petrobras reintroduziu em setembro um programa que permite às distribuidoras parcelar os aumentos do QAV em três parcelas mensais.
Os preços do petróleo e de seus derivados estão sob pressão desde o início dos conflitos, que começaram em 28 de fevereiro, envolvendo ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. Essas tensões resultaram em restrições à navegação e ataques a embarcações no Golfo Pérsico, especialmente na região do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de comércio mundial de petróleo, pela qual passava cerca de 20% da oferta global antes da guerra.
As tentativas de resolução do conflito têm sido infrutíferas, como demonstrado pela recente rejeição do presidente dos Estados Unidos a uma proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. A instabilidade geopolítica mantém as cotações internacionais do petróleo em níveis elevados, com o preço do Brent superando os US$ 102 por barril no dia do anúncio do reajuste.
Embora o Brasil seja um produtor de petróleo, o preço do QAV é influenciado pelas referências do mercado internacional. A Petrobras, responsável por cerca de 85% da produção nacional do combustível, opera em um mercado que também está aberto à concorrência de outros produtores e importadores.