Ex-assessor de Obama alerta para possibilidade de Trump não reconhecer Lula
Risco de não reconhecimento de vitória de Lula por Trump preocupa analistas.
Nick Zimmerman, ex-diretor para Brasil e Cone Sul do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, alertou sobre a possibilidade de o governo de Donald Trump não reconhecer uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas próximas eleições presidenciais brasileiras, especialmente se a margem for estreita.
Zimmerman, que atuou durante o governo de Barack Obama e atualmente é pesquisador sênior do Inter-American Dialogue, destacou que a interferência de Trump nas eleições brasileiras é inédita na história recente dos EUA. Ele enfatizou que, em um cenário de vitória apertada para Lula, a não aceitação do resultado pode ser uma realidade.
O ex-diretor expressou preocupação com a postura do governo Trump, que tende a ser oposta à do governo Biden em relação à credibilidade do processo eleitoral no Brasil. Essa situação pode criar um cenário de tensão e instabilidade nas relações bilaterais.
Sanções e pressão econômica
De acordo com Zimmerman, uma contestação do resultado eleitoral poderia servir como um meio de pressão sobre o Brasil, abrindo caminho para novas sanções e medidas de coerção econômica a partir de 2027. Ele alertou que os danos nas relações entre os dois países estão se tornando irreparáveis.
O pesquisador afirmou que a relação entre Brasil e Estados Unidos está no seu pior estado desde o golpe de 1964, citando o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros, as sanções da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras e a designação de organizações como o Comando Vermelho e o PCC como grupos terroristas.
Zimmerman também mencionou outros exemplos de interferência do governo Trump em eleições em diferentes países, como a promessa de ajuda financeira à Argentina e a ameaça de cortar ajuda a Honduras, caso um candidato específico não fosse eleito.
Cenário com vitória de Flávio
Se Flávio Bolsonaro vencer, Zimmerman acredita que as relações poderiam começar de maneira mais cooperativa, mas com tensões relacionadas à presença da China na economia brasileira. O governo Trump poderia tentar impor limites ao acesso chinês a setores estratégicos.
Ele destacou que, embora a relação entre Trump e Bolsonaro tenha sido próxima, Bolsonaro não conseguiu impedir a participação da Huawei no 5G brasileiro, evidenciando que a proximidade ideológica tem limites sem um projeto econômico concreto.
Em caso de vitória de Flávio, haveria também oportunidades para negociações comerciais que poderiam reduzir tarifas e incluir a cooperação em segurança pública. No entanto, a classificação do CV e PCC como organizações narcoterroristas levanta preocupações sobre o impacto no sistema financeiro brasileiro.
Zimmerman alertou que bancos brasileiros podem ser afetados se considerados negligentes na prevenção à lavagem de dinheiro relacionado a organizações terroristas, prevendo um aumento no número de classificações desse tipo que impactariam o setor financeiro no Brasil e em outros países.