TSE é criticado por não treinar mesários para reconhecimento de óculos inteligentes a dois dias das eleições
Preocupações sobre o uso de óculos inteligentes nas eleições de 2026
Os mesários designados para as eleições de 2026 não receberam treinamento do TSE para identificar óculos inteligentes, que possuem câmeras acopladas, em comparação aos óculos comuns usados por eleitores com problemas de visão.
Com a proximidade do primeiro turno, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, foi informado sobre os potenciais riscos ao sigilo do voto e solicitado a adotar medidas preventivas para os dois turnos, marcados para os dias 4 e 25 de outubro.
O alerta foi enviado ao presidente do TSE por entidades que atuam na defesa dos direitos dos consumidores e dos direitos humanos em ambientes digitais. O documento destaca o crescimento global no uso de óculos inteligentes, com vendas que atingiram 9,6 milhões de unidades em 2025 e uma previsão de aumento para 13,4 milhões em 2026, conforme dados de consultorias especializadas.
A similaridade estética entre os óculos inteligentes e os comuns, com câmeras quase invisíveis, levanta preocupações sobre a proteção do sigilo do voto, um direito constitucional fundamental.
Para o primeiro turno, foi solicitado que o presidente do TSE comunique imediatamente os TREs sobre essa questão e que qualquer incidente envolvendo “dispositivos vestíveis” seja documentado em ata.
Para o segundo turno, o ofício pede orientações específicas aos mesários sobre como identificar óculos inteligentes e quais procedimentos seguir caso um eleitor não tenha opções alternativas para visualizar a urna.
Além disso, os institutos demandam que, em futuras eleições, a resolução que rege o processo eleitoral inclua proibições explícitas sobre o uso de dispositivos eletrônicos, como óculos e pulseiras, e que esses temas sejam incorporados aos manuais e treinamentos dos mesários.
Atualmente, o TSE já orienta que é proibido aos eleitores portar aparelhos de telefonia celular, câmeras e outros equipamentos que possam comprometer o sigilo do voto, mesmo que desligados.
De acordo com a resolução do TSE, qualquer instrumento que permita o registro ou a divulgação da escolha do eleitor é considerado uma ameaça ao sigilo do voto.
Nos materiais de treinamento para mesários de 2026, já está vedado o uso de relógios digitais e tablets, mas não há menção aos óculos. O TSE permite o uso de instrumentos que auxiliem na votação, desde que não sejam eletrônicos.
Recentemente, o TSE publicou um informativo que inclui os óculos inteligentes entre os itens restritos, assim como outros acessórios que contenham câmeras ou microfones.
Um ministro do TSE acredita que, apesar da tecnologia ainda não estar amplamente disseminada no Brasil, qualquer irregularidade que ocorra será isolada. Os casos suspeitos de violação são encaminhados ao Ministério Público para investigação.
Um dos principais temores é que os óculos inteligentes possam ser utilizados para coação em situações de compra de votos, permitindo que eleitores comprovem sua escolha para quem lhes pagou.