Ex-jogador do Flamengo é preso por vender licenças falsas de treinador

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Ex-jogadores brasileiros envolvidos em esquema de diplomas falsos de treinador na Argentina.

Uma investigação revelou que ex-jogadores de futebol brasileiro receberam diplomas de treinador da ATFA (Associação de Técnicos de Futebol Argentino) sem cumprir as etapas necessárias. Os documentos eram negociados por Alejandro Mancuso, ex-atleta com passagens por clubes como Flamengo e Palmeiras.

Entre os jogadores mencionados estão nomes de destaque como Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo e Paolo Guerrero. A reportagem indica que os atletas pagavam aproximadamente R$ 100 mil por quatro licenças (C, B, A e PRO), que eram enviadas rapidamente pelo correio. A ATFA, por sua vez, afirma que nunca autorizou Mancuso a emitir tais documentos e considera os certificados como falsos.

Mancuso se apresentava como “diretor internacional da ATFA” e oferecia um “trâmite urgente” para a obtenção das licenças. Em áudios obtidos, ele alegava ter um acordo com dirigentes da entidade para facilitar a emissão dos certificados.

A formação oficial da ATFA requer um processo progressivo, que vai da licença C à PRO, incluindo cursos, avaliações e atividades práticas. A entidade deixou claro que a experiência como jogador profissional não isenta da necessidade de passar por essas etapas.

A maioria dos ex-jogadores acreditava estar obtendo uma formação válida. Thiago Silva relatou que pagou por cursos que nunca foram realizados e recebeu os certificados no final de 2023, mas não os utilizou. Felipe Melo desconfiou da negociação ao tentar agendar aulas presenciais e conseguiu reaver seu dinheiro.

Alex de Souza mencionou que já havia completado os cursos da CBF Academy e não tentou homologar a licença na Conmebol. Luiz Gustavo também expressou desconfiança após receber históricos com avaliações que não realizou.

Paulinho acreditava que jogadores de alto nível poderiam ter suas carreiras reconhecidas pela ATFA. Roberto Carlos recebeu as licenças e uma carteirinha, mas não utilizou os documentos, pois não finalizou o curso. Lugano confirmou a compra de um “curso rápido”, mas não completou a parte presencial.

Investigação na Argentina

Em 2025, a polícia argentina realizou uma busca e apreensão na sede da ATFA para investigar a emissão irregular de diplomas e licenças para ex-jogadores estrangeiros. A entidade declarou que não foram encontrados documentos que comprovassem a emissão irregular.

O Ministério Público argentino pediu o arquivamento do caso, e a Justiça Federal Criminal e Correcional encerrou a investigação em dezembro de 2025, considerando a inexistência de crime, conforme o artigo 195 do Código de Processo Penal.

Mancuso nega ter vendido licenças falsas ou recebido dinheiro dos jogadores, afirmando que apenas orientava atletas interessados na formação argentina. Ele também negou qualquer vínculo com a ATFA, sugerindo que os atletas deveriam tratar diretamente com a federação.

A ATFA reafirmou que Mancuso não faz parte de sua diretoria e não possui autorização para representá-la. A entidade também se mostrou disposta a tomar medidas legais contra o uso indevido de seu nome e de seus dirigentes.

Uma nota divulgada pela ATFA esclarece que Mancuso não tem qualquer vínculo com a instituição e que as alegações sobre sua atuação foram objeto de investigação judicial, que resultou em arquivamento por falta de evidências. A ATFA pediu que qualquer publicação sobre o assunto inclua sua resposta na íntegra.

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