Radar das Eleições aponta Centrão enfraquecido, PL fortalecido e governo impopular como desafios e oportunidades para Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro é o favorito nas eleições de 2026, mas enfrenta desafios significativos.
A eleição de 2026 ainda está em aberto, mas Flávio Bolsonaro (PL) se destaca como o candidato favorito após sua liderança no primeiro turno. Um eventual governo sob sua liderança traz vantagens, como a força da bancada do PL no Congresso e um Centrão debilitado, facilitando negociações. Contudo, também existem desvantagens, como a necessidade de governar um país polarizado e a implementação de medidas que podem desagradar parte de seus eleitores.
Leopoldo Rosa, especialista em política, aponta que mesmo que Flávio Bolsonaro seja eleito com uma margem de 51% dos votos, a situação pode se complicar rapidamente. No momento em que anunciar as primeiras medidas de ajuste fiscal, ele pode perder o apoio de eleitores que esperavam benefícios sociais que podem ser cortados. Esta reticência pode surgir tanto de quem votou nele, esperando programas sociais, quanto de quem é contra cortes fiscais.
O apoio inicial do Congresso ao governo de Flávio Bolsonaro pode ser efêmero, já que nem todos os eleitos pelo PL são pragmáticos e podem se manter leais. Entretanto, a diminuição do poder do Centrão, que perdeu bastante no Senado, pode beneficiar o senador em sua administração.
Com o PL emergindo como o grande vencedor das eleições, há uma expectativa de que o futuro governo de Flávio Bolsonaro encontre um Congresso mais alinhado. A diferença de apenas 2 milhões de votos entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, a menor da história, indica que o atual presidente pode reverter a situação no segundo turno.
Se Lula for reeleito, ele enfrentará um desafio ainda maior para negociar com um Congresso dominado pelo PL. Embora tenha algumas conexões com o Centrão, o partido de Flávio Bolsonaro é considerado o mais difícil de ser persuadido por Lula.
E o mercado?
Antes do primeiro turno, previsões indicavam 55% de chance de reeleição para Lula, mas após a vitória de Flávio Bolsonaro, essa expectativa mudou para 70% a favor do senador. O mercado reagiu de forma positiva, com a bolsa de valores em alta e o dólar em queda.
O mercado financeiro demonstra otimismo em relação a um ajuste fiscal, que é considerado improvável em um quarto mandato de Lula. A assessora econômica de Flávio já sinalizou compromissos com ajustes, o que ajuda a explicar a boa recepção do mercado à sua candidatura.
Entretanto, o apoio do mercado não garante votos. Para conquistar eleitores que não o apoiaram no primeiro turno, Flávio Bolsonaro precisará se conectar com o cidadão comum. O desafio reside em comunicar a necessidade de ajustes fiscais sem alienar eleitores.
Leopoldo Rosa acredita que o próximo governo buscará uma estabilização gradual da economia, evitando medidas drásticas. Ele ressalta que, independentemente do vencedor, o Brasil não passará por transformações radicais, mas sim por um processo de avanços e retrocessos.