Especialistas apontam abstenção e voto útil como fatores que colocam Flávio Bolsonaro à frente de Lula no primeiro turno

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Flávio Bolsonaro lidera no primeiro turno, impulsionado pela abstenção e voto útil

Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais, superando Lula (PT), que alcançou 45,16%. A diferença entre os candidatos será decidida no segundo turno, marcado para o dia 25.

Especialistas analisam que a abstenção recorde e o voto útil foram fatores cruciais para a vantagem de Flávio. O não comparecimento às urnas atingiu 33,5 milhões de eleitores, representando 21,08% do total, o que pode ter desviado votos que, em outras circunstâncias, teriam sido direcionados a Lula.

Antonio Lavareda, cientista político, destaca que, ao considerar o total do eleitorado apto a votar, Flávio recebeu 35,34% dos votos, enquanto Lula ficou com 33,94%. Essa análise é importante, pois os institutos de pesquisa frequentemente têm dificuldades em captar a abstenção, o que pode levar a discrepâncias nas intenções de voto.

Embora Lula tenha aparecido com 42% das intenções de voto na pesquisa Datafolha, a diferença entre as intenções e os resultados reais foi significativa, com o petista perdendo quase o dobro de votos para a abstenção em relação a Flávio. Lavareda ressalta que muitos dos votos que a terceira via perdeu não foram para Flávio, mas sim para a abstenção.

A abstenção está historicamente ligada a fatores socioeconômicos, como escolaridade e renda, áreas onde Lula tinha uma vantagem nas pesquisas. As dificuldades para se deslocar até os locais de votação e a falta de apoio familiar também foram citadas como razões para a não participação dos eleitores.

Luciana Chong, diretora-geral do Datafolha, discorda da ideia de que a abstenção foi o principal motivo da diferença entre as pesquisas e os resultados das urnas. Ela aponta que a abstenção foi maior no Sudeste do que no Nordeste e que isso não prejudicou exclusivamente Lula, já que a distribuição da abstenção afeta todos os candidatos.

Ela também observa que a migração de eleitores de candidatos alternativos para Flávio foi um fator determinante. As pesquisas já indicavam um crescimento do senador, enquanto Lula permanecia estável. A diferença entre as intenções de voto e os resultados foi de cinco pontos a favor de Flávio.

O economista Maurício Moura analisa que a abstenção, concentrada em áreas de menor renda e escolaridade, teve um impacto mais significativo sobre o PT. Ele menciona a tendência de “antipetismo de chegada”, onde os eleitores optam pelo candidato com maior chance de derrotar o PT, o que contribuiu para a desidratação de outros candidatos em favor de Flávio.

Para o segundo turno, Moura não espera uma mudança drástica na taxa de abstenção, prevendo resultados semelhantes ao primeiro turno, com um impacto continuado sobre Lula.

Além disso, um projeto recente chamado B22 tem gerado polêmica ao distribuir tokens em troca de compartilhamento de conteúdos relacionados a Flávio Bolsonaro. Especialistas em direito eleitoral levantam questões sobre possíveis irregularidades nessa prática, que afirma não ter vínculos oficiais com campanhas políticas.

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