Emendas de Flávio Bolsonaro financiam empresas investigadas por cartel pela PF
Emendas de Flávio Bolsonaro são alvo de investigações por irregularidades e vínculos com entidades suspeitas.
Emendas do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, estão sob investigação por terem sido utilizadas para pagar empresas que enfrentam suspeitas de cartel, uma ONG considerada “inexistente” pela Receita Federal e um instituto vinculado a um miliciano. Desde 2020, mais de R$ 300 milhões foram alocados para suas emendas no orçamento federal.
O senador declarou que não indica as empresas que recebem os valores de suas emendas. Entre os recursos alocados, R$ 3,1 milhões foram destinados à saúde básica de Mesquita (RJ), dos quais R$ 666 mil foram pagos ao Instituto de Medicina e Projeto (IMP) em agosto de 2025. A Receita Federal classificou o IMP como “inexistente de fato”, indicando que a entidade pode ter sido criada para fraudes fiscais.
Desde 2024, o IMP está sob investigação do TCE-RJ, tendo firmado contratos superiores a R$ 580 milhões com diversos municípios do estado. Apesar do volume de recursos, a entidade não possui um site ativo desde 2021, e os meios de contato informados não funcionam. O presidente do IMP, um idoso em situação vulnerável, levanta ainda mais suspeitas sobre a gestão da entidade.
O TCE-RJ apontou irregularidades, como a falta de estudos técnicos antes da transferência da gestão da saúde para o IMP e indícios de conluio nas concorrências. Além disso, um dos signatários de documentos da entidade estava falecido desde 2017, levando a Prefeitura de Mesquita a suspender novos contratos com o IMP por dois anos.
Em outro processo, o TCE-RJ revelou que Mesquita pagava uma taxa de lucro irregular de 9% ao IMP e que a contratação do instituto foi realizada de forma inadequada. O tribunal determinou a devolução de R$ 32 milhões por parte de ex-gestores e do próprio IMP.
Além do IMP, emendas de Flávio também foram direcionadas a empresas investigadas pela Polícia Federal por fraudes em licitações. A Glágio do Brasil, que recebeu R$ 569 mil, e a Inbra-Tecnologia, com R$ 1,1 milhão, estão ligadas a um projeto de modernização da Polícia Militar do Rio. Ambas as empresas são alvos da Operação Perfídia, que investiga conluio em contratos de proteção balística.
Mensagens obtidas durante as investigações indicam que representantes da Glágio tentaram influenciar decisões governamentais relacionadas à aquisição de coletes para a polícia. O ex-ministro Walter Braga Netto, atualmente preso, é mencionado em comunicações sobre o tema.
Outros casos envolvendo Flávio incluem uma emenda de R$ 4 milhões para um projeto esportivo ligado ao Vasco da Gama, que está sendo analisada pela CGU devido a irregularidades na destinação de recursos. A maior parte do valor foi direcionada a uma única microempresa, levantando suspeitas sobre a legitimidade do fornecedor.
Além disso, uma emenda de R$ 200 mil foi destinada ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, onde há indícios de irregularidades. A liberação das emendas foi discutida por Robson Calixto, um miliciano condenado, com assessores de Flávio.
Em relação à Prefeitura de Mesquita, a administração esclareceu que instaurou um processo administrativo de responsabilização contra o IMP e rescindiu contratos, além de ter encaminhado o caso ao Ministério Público. A continuidade dos serviços foi mantida temporariamente para garantir a assistência à população.
Os contratos e atos administrativos estão disponíveis no Portal da Transparência, e a Prefeitura reafirma que as contratações seguem as normas legais vigentes.