Campanha de Lula denuncia site que oferece criptomoeda em troca de posts pró-Flávio à PF
Investigação sobre esquema de criptomoedas liga crianças a campanha eleitoral.
Um caso recente envolve a moeda virtual “B22” e um site que estava sendo divulgado em perfis de crianças africanas com milhões de seguidores nas redes sociais.
A coligação que apoia a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva acionou a Polícia Federal para investigar um suposto esquema ilegal de distribuição de criptomoedas. Este esquema estaria oferecendo prêmios em troca de publicações incentivando o voto em Flávio Bolsonaro, senador do PL.
O site em questão, que promove a moeda B22 (“Brasil 22 Token”), prometia recompensas em ativos digitais para os usuários que compartilhassem conteúdos pedindo votos para o número 22. A denúncia aponta que o site estava sendo promovido em um perfil do Instagram que possui 12,9 milhões de seguidores, arrecadando recursos para a construção de casas para crianças em Uganda.
Um vídeo que circulou nas redes sociais mostrava crianças dançando e usando camisetas amarelas com a mensagem “B22 token”, enquanto cantavam slogans de apoio a Bolsonaro. Este vídeo alcançou mais de 1,2 milhão de visualizações, gerando preocupações sobre a exploração da imagem infantil para fins eleitorais.
As crianças no vídeo mencionavam um “novo token” que, segundo elas, tinha o objetivo de ajudar o Brasil, citando nomes de políticos ligados à campanha. A coligação de Lula identificou Kevim Flores como o idealizador do projeto, que tem utilizado suas redes sociais para divulgar o site sem se identificar como proprietário.
De acordo com a denúncia, a operação teria movimentado R$ 1,06 milhão em apenas 24 horas, utilizando servidores no exterior com registros ocultos para dificultar a identificação dos responsáveis. A coligação solicitou à Polícia Federal a abertura de um inquérito e a preservação de registros digitais nas plataformas Meta, X, Telegram e Binance.
Além disso, foi pedida a comunicação aos órgãos de proteção da infância devido ao uso da imagem de crianças na propaganda eleitoral. A campanha de Flávio Bolsonaro negou qualquer envolvimento com o site e afirmou que tomará medidas legais para desmantelar a página.
O site B22 se apresentava como um movimento que une apoio ao voto 22 com a proposta de ajudar as HypersKids a concluir sua casa em Kampala. Embora afirmasse que a distribuição de tokens não estava vinculada a preferências eleitorais, a situação gerou controvérsias sobre a legitimidade do projeto.
Na manhã do dia 9 de outubro, o site alterou sua mensagem, afirmando que a comunicação seria dedicada exclusivamente à causa social, enfatizando a transparência do projeto e a história das HypersKids até o segundo turno das eleições, programado para 25 de outubro.