EUA instalarão lançadores de mísseis em ilha próxima a Taiwan em meio a tensões com a China
Estados Unidos posicionará sistema antinavio em ilha japonesa próxima a Taiwan.
Washington levará pela primeira vez um de seus principais sistemas de “caçadores de navios” terrestres para Yonaguni, a ilha japonesa mais próxima de Taiwan. Durante as manobras Keen Sword, programadas para este mês, os fuzileiros navais dos EUA irão instalar o sistema NMESIS, que possui um alcance significativo de mais de 185 quilômetros, permitindo uma cobertura estratégica na região.
Yonaguni, situada a apenas 110 quilômetros da costa leste de Taiwan, será o local onde o NMESIS será utilizado pela primeira vez em exercícios conjuntos com o Japão, que ocorrerão entre 19 e 29 de outubro. Este movimento representa um avanço em termos de posicionamento militar, especialmente quando comparado aos exercícios Resolute Dragon de 2025, onde o sistema foi testado em Ishigaki, a cerca de 240 quilômetros de Taiwan.
O alcance desses mísseis
O NMESIS foi desenvolvido para permitir que os fuzileiros navais ataquem embarcações inimigas a partir de terra, utilizando mísseis antinavio Naval Strike Missile, que são instalados em veículos não tripulados e controlados remotamente. Com um alcance superior a 185 quilômetros, o sistema pode se mover rapidamente entre diferentes posições, disparar e se ocultar, aumentando sua eficácia em um potencial conflito.
Com sua instalação em Yonaguni, o NMESIS poderá ameaçar navios que operem em uma vasta área ao leste de Taiwan. Essa região tem visto um aumento nas atividades navais da China, incluindo operações da guarda costeira e de pesquisa, tornando a presença militar dos EUA ainda mais relevante.
O NMESIS é parte de uma transformação mais ampla dos fuzileiros navais, que buscam operar entre as ilhas do Pacífico e negar áreas marítimas a forças adversárias. Uma unidade terrestre pode se dispersar por uma ilha e colocar embarcações inimigas em risco sem a necessidade de confrontos diretos com destróieres ou cruzadores.
Os Estados Unidos já testaram essa estratégia em Okinawa e nas ilhas Batanes, nas Filipinas, criando posições que permitem cobertura de mísseis em diferentes acessos ao redor de Taiwan.
União com o Japão
A movimentação das forças estadunidenses será complementada por mísseis antinavio das Forças de Autodefesa do Japão, que também têm um alcance superior a 100 quilômetros, marcando a primeira vez que esses sistemas serão utilizados em Yonaguni.
As manobras incluirão a criação de um centro conjunto de coordenação entre as forças dos EUA e do Japão, simulando a defesa da ilha e a conexão com unidades posicionadas em outros locais. Além disso, Washington introduzirá o sistema MADIS, uma defesa aérea móvel projetada para detectar e neutralizar drones, helicópteros e aeronaves em baixa altitude.
A China tem criticado o reforço militar nas ilhas japonesas próximas a Taiwan, acusando Tóquio de transformar essas áreas em posições avançadas de confronto. Especialistas militares chineses afirmam que o NMESIS forçaria o Exército de Libertação Popular a considerar Yonaguni como uma ameaça a ser neutralizada em um possível conflito envolvendo Taiwan.
Embora a geografia de Yonaguni ofereça vantagens estratégicas, também apresenta desvantagens. A ilha possui espaço limitado e pouca profundidade estratégica, o que pode tornar seus lançadores alvos prioritários para vigilância e ataques de precisão.
Yonaguni é parte de uma estratégia maior que abrange a primeira cadeia de ilhas, do Japão e Okinawa até Taiwan e as Filipinas. O objetivo do Pentágono é reforçar a “dissuasão por negação”, posicionando sensores, mísseis e unidades móveis suficientes para dificultar a travessia dessa barreira e o acesso ao Pacífico aberto.
Com essa nova movimentação, o sistema de mísseis estará a apenas 110 quilômetros de Taiwan, com uma capacidade de ataque que supera 185 quilômetros, evidenciando a intensidade da competição militar na região.