EUA suspendem Microsoft e Adobe de programa de certificação trabalhista

Compartilhe essa Informação

Governo dos EUA suspende Microsoft e Adobe do programa de certificação trabalhista permanente.

O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos anunciou a suspensão da Microsoft e da Adobe do Programa de Certificação de Emprego Permanente (PERM). As empresas estão impedidas de apresentar novos pedidos enquanto ocorrem investigações federais. A decisão foi divulgada na última sexta-feira.

A suspensão faz parte de uma estratégia do governo para restringir a contratação de trabalhadores estrangeiros, afetando também outras grandes empresas de tecnologia, como Cognizant, Infosys, Capgemini, Tata, Wipro e HCL Technologies. Esse movimento intensifica a pressão sobre um setor que tradicionalmente depende de profissionais de fora para preencher funções especializadas, especialmente em áreas como engenharia de software, inteligência artificial e computação em nuvem.

O programa PERM e os números da investigação

O Programa de Certificação de Emprego Permanente é um procedimento essencial para empresas que desejam patrocinar trabalhadores estrangeiros em busca de residência permanente nos Estados Unidos. O processo exige que as empresas demonstrem a ausência de trabalhadores americanos qualificados e dispostos a ocupar as vagas antes de solicitarem a certificação.

Desde 2009, as empresas envolvidas nas investigações solicitaram quase três milhões de trabalhadores estrangeiros, resultando em mais de 230 mil aprovações de vistos H-1B e mais de 100 mil certificações de trabalho permanente. Esse volume de solicitações representa uma significativa quantidade de oportunidades que poderiam ter sido oferecidas a trabalhadores americanos.

Microsoft contesta alegações sobre demissões

A Microsoft enfrenta um cenário complicado devido às demissões anunciadas em 2025, que totalizam cerca de seis mil cortes. O vice-presidente da empresa mencionou que essas demissões foram acompanhadas pela contratação de profissionais com visto H-1B.

A companhia, por sua vez, refuta essa alegação, afirmando que a maioria de seus colaboradores nos Estados Unidos é composta por cidadãos americanos. De acordo com a Microsoft, das aproximadamente seis mil solicitações de H-1B feitas no último ano fiscal, 80% se referem à extensão ou mudança de status de funcionários já empregados.

Suspensões e o visto O-1 como alternativa

Essa ação não é uma ocorrência isolada. Em maio, o Departamento do Trabalho já havia suspendido a certificação PERM da Cloudera, após alegações de que a empresa teria dificultado a concorrência de candidatos americanos qualificados em seus processos de recrutamento.

Com o endurecimento das regras, as empresas que buscam profissionais estrangeiros podem ter que considerar alternativas. A advogada especializada em imigração, Chandler Carney, destaca que, com a postura mais rigorosa do governo em relação à imigração patrocinada, o visto O-1 se torna uma opção mais relevante para empresas que desejam atrair talentos globais excepcionais. O foco agora se volta para profissionais que possam demonstrar habilidades extraordinárias e um histórico de impacto, ao invés de simplesmente preencher vagas com trabalhadores estrangeiros.

A contradição simbólica do mesmo dia

Curiosamente, a suspensão foi anunciada no mesmo dia em que o governo homenageou figuras proeminentes da indústria de tecnologia com a Medalha Nacional de Ciência. Entre os homenageados estão Satya Nadella, da Microsoft; Jensen Huang, da Nvidia; Elon Musk, da SpaceX; e Lisa Su, da AMD, todos imigrantes.

O vice-presidente Vance fez uma distinção entre esses indivíduos e o uso mais amplo de trabalhadores estrangeiros pelas empresas. Ele ressaltou que o governo apoia a entrada de empreendedores e executivos estrangeiros que possam contribuir significativamente para a economia, mas busca restringir a imigração para a contratação em larga escala.

Para a Microsoft e outras grandes empresas do setor, essa questão vai além da imigração; trata-se do acesso a um pool de talentos especializados, essencial para a inovação em um mercado altamente competitivo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *