Honda enfrenta prejuízo de 4,5 bilhões e muda estratégia para veículos elétricos
Honda enfrenta enormes perdas em seu investimento em veículos elétricos, com reavaliações necessárias para recuperar competitividade.
Nos primeiros nove meses do ano fiscal que termina em dezembro de 2025, a Honda registrou baixas contábeis e encargos excepcionais que somam 267,1 bilhões de ienes, o que equivale a aproximadamente 1,71 bilhão de dólares. No terceiro trimestre, as perdas aumentaram em 43,4 bilhões de ienes, totalizando quase 1,5 bilhão de dólares em seis meses.
As perdas operacionais relacionadas a veículos elétricos ultrapassaram 1 bilhão de dólares, e a previsão para o ano fiscal completo, que termina em março de 2026, é de quase 4,48 bilhões de dólares, sem considerar cerca de 2 bilhões de dólares em tarifas americanas. Como resultado, o lucro operacional consolidado do terceiro trimestre caiu 61%, levando a empresa a considerar uma “revisão fundamental” para recuperar sua competitividade no mercado.
As vendas globais de veículos elétricos da Honda caíram drasticamente, reduzindo-se pela metade no último trimestre, enquanto a Toyota dobrou suas vendas, alcançando 63 mil veículos elétricos vendidos.
A parceria com a General Motors para desenvolver os SUVs elétricos Honda Prologue e Acura ZDX não trouxe os resultados esperados. As vendas do Prologue caíram 86%, com apenas 2.641 unidades comercializadas, e o Acura ZDX foi descontinuado após um ano fiscal, totalizando apenas 19.411 unidades vendidas. A Honda agora enfrenta a necessidade de compensar a GM pela capacidade de produção ociosa, enquanto o Prologue exigiu mais de 17 mil dólares em incentivos para ser vendido.
Em contraste, o CR-V híbrido, que possui alta demanda, recebeu apenas 2.500 dólares em incentivos. A Honda também reconheceu que não desenvolveu adequadamente o canal de vendas para frotas, um aspecto crucial para a comercialização de veículos elétricos.
Com esses resultados, a Honda decidiu reduzir suas ambições, cortando o objetivo de produzir 2 milhões de veículos elétricos por ano até 2030 para uma meta entre 700 mil e 750 mil unidades. Vários projetos de SUVs elétricos foram adiados ou cancelados, influenciados por mudanças políticas que eliminaram créditos fiscais e flexibilizaram normas ambientais.
Em vez de focar exclusivamente em veículos elétricos, a Honda está retornando ao seu histórico de especialização em híbridos, com a meta de alcançar 2,2 milhões de vendas anuais até 2030. Uma nova geração de tecnologias híbridas está prevista para 2027, incorporando sistemas avançados de assistência ao motorista.
No último trimestre, a Honda vendeu 230 mil híbridos, mantendo um volume estável, mas suas vendas totais de automóveis caíram 15%, totalizando 881 mil unidades. Na América do Norte, as vendas caíram 18%, enquanto no Japão a redução foi de 4,4%. A Europa, por outro lado, apresentou um leve crescimento.
Ainda assim, a Honda não abandonou completamente os veículos elétricos. A plataforma “Série 0” permanece relevante, com planos para um SUV elétrico e um sedã previstos para 2026, além de um crossover elétrico Acura RSX no final de 2025. Contudo, o cronograma e os volumes serão ajustados, e um novo plano será apresentado após 1º de abril de 2026.
O desafio enfrentado pela Honda não é isolado. Outras montadoras, como a Ford e a Toyota, também estão reavaliando suas estratégias em um mercado de veículos elétricos em declínio. Na China, onde os veículos elétricos representam mais de 40% das vendas, a Honda luta para competir com fabricantes locais, enquanto nos Estados Unidos e na Europa, a redução de incentivos fiscais e a concorrência crescente impactam a demanda e a lucratividade.
A Honda, que havia se comprometido a eliminar os motores de combustão interna até 2040, agora parece adotar uma abordagem mais pragmática diante das dificuldades do mercado.
