Ministros expressam falta de confiança e percebem Fachin isolado após episódio envolvendo Toffoli
Clima de desconfiança no STF após saída de Toffoli da relatoria do caso Master.
Após a recente reunião que resultou na saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Master, o ambiente no Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou tenso, com ministros expressando um notável clima de desconfiança em relação ao presidente da corte, Edson Fachin.
Quatro magistrados manifestaram descontentamento com a decisão de Fachin de prosseguir com um relatório da Polícia Federal que envolve um membro do Supremo, sem a devida supervisão judicial, em vez de arquivá-lo imediatamente.
Durante uma conversa fechada, Fachin foi criticado por sua insistência em levar a arguição de suspeição contra Toffoli a julgamento em plenário, o que, segundo alguns ministros, poderia expor um dos integrantes da corte a uma situação humilhante, o que não se espera de um presidente do STF.
A petição da Polícia Federal sugere possíveis implicações criminais de Toffoli nas fraudes do caso Master, sendo autuada pelo STF como uma “arguição de suspeição”, com Fachin solicitando que Toffoli se manifestasse sobre as alegações.
Embora uma nota conjunta de apoio a Toffoli tenha sido assinada por todos os ministros, demonstrando uma aparente unanimidade, as discussões revelaram uma divisão clara entre Fachin e Cármen Lúcia, de um lado, e os demais ministros, do outro.
O isolamento de Fachin se intensifica, pois ele não garantiu apoio a seus pares em possíveis crises futuras, o que gera preocupação, especialmente em um ano eleitoral.
Por outro lado, assessores de Fachin defendem que ele reconhece a importância da coesão no STF, mas enfatizam que a ética é a prioridade de sua gestão, o que justifica sua ação em relação ao relatório da Polícia Federal, considerado extremamente delicado.
A reunião resultou em um acordo que culminou na elaboração de uma nota em defesa da integridade de Toffoli e dos atos por ele assinados até o momento, embora o ministro tenha decidido se afastar do processo para assegurar o bom andamento das atividades do tribunal e os interesses institucionais.
Fachin já havia enfrentado resistência de alguns colegas ao propor um código de conduta para os ministros, inspirado no modelo do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha, que inclui a obrigatoriedade de divulgação de verbas recebidas por participação em eventos e palestras.
Apesar de ter recebido apoio dos presidentes de outros tribunais superiores e de ex-presidentes do STF, a proposta encontrou resistência interna, especialmente de figuras como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
