Perfis favoráveis a Flávio Bolsonaro no Brasil e no exterior expõem eleitores de Lula e promovem denúncias

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Campanha de exposição de eleitores de Lula gera polêmica entre brasileiros no exterior.

Perfis de apoiadores de Flávio Bolsonaro mobilizaram usuários nas redes sociais para identificar e denunciar eleitores do presidente Lula que residem fora do Brasil. As ações ocorreram durante e após o primeiro turno das eleições brasileiras, realizado em 4 de outubro.

A ofensiva se concentrou em brasileiros na Coreia do Sul, Japão, Bélgica e Polônia, envolvendo a divulgação de dados pessoais e ameaças de denúncias e deportações.

Na Polônia, duas brasileiras foram alvo de ataques após publicarem fotos em apoio a Lula. O eurodeputado Dominik Tarczyński, aliado da família Bolsonaro, solicitou ajuda para identificar as mulheres e defendeu sua deportação, alegando que estariam promovendo o comunismo.

As brasileiras buscaram assistência na embaixada do Brasil em Varsóvia, que se prontificou a oferecer suporte consular. A situação reflete uma crescente aproximação entre apoiadores de Flávio Bolsonaro e grupos conservadores internacionais, especialmente na Coreia do Sul, embora não haja evidências de coordenação direta entre a campanha do senador e os ataques.

No dia das eleições, um usuário do X lançou a campanha “De volta para minha terra”, convocando brasileiros no exterior a denunciar compatriotas que votaram em Lula. A conta está ligada a uma rede de perfis anônimos conhecidos por disseminar conteúdo extremista e falso.

Outros usuários se uniram à iniciativa, com um deles sugerindo que se localizasse a residência e o trabalho de eleitores do PT para alertar empregadores e autoridades. Na Coreia do Sul, um perfil expôs informações que permitiram identificar uma brasileira, incluindo uma imagem de um documento pessoal.

No Japão, uma conta afirmou ter denunciado eleitores de Lula ao Comitê Nacional de Segurança Pública, mencionando a possibilidade de acionar autoridades migratórias. Na Bélgica, uma publicação sobre uma brasileira apoiadora do presidente foi enviada ao responsável pela campanha, ampliando a busca.

ATAQUES NA POLÔNIA

O episódio mais notório ocorreu na Polônia, onde fotografias de duas brasileiras, publicadas após a votação, circularam com mensagens que as associavam ao comunismo. As imagens foram compartilhadas por perfis influentes, incluindo o de Mario Nawfal, que possui milhões de seguidores e comenta sobre política internacional.

Na noite de 4 de outubro, um brasileiro marcou Tarczyński em uma publicação sobre uma das eleitoras, levando o eurodeputado a defender a deportação das mulheres em uma postagem no Instagram, declarando que promover o comunismo na Polônia é constitucionalmente proibido.

A Constituição polonesa proíbe partidos e organizações que promovam práticas totalitárias, enquanto o Código Penal criminaliza a promoção de regimes totalitários. As imagens mostravam as brasileiras fazendo gestos de apoio a Lula, sem evidências de defesa de um regime totalitário.

No dia seguinte, Tarczyński pediu que informações sobre as mulheres fossem enviadas com urgência, e um brasileiro envolvido na campanha “De volta para minha terra” divulgou dados sobre uma delas, sugerindo seu retorno ao Brasil.

O eurodeputado já mantinha relações públicas com a família Bolsonaro e, em setembro, posou com Eduardo Bolsonaro em Miami, reiterando apoio ao senador. Contudo, não há provas de que Eduardo tenha participado da identificação das mulheres ou enviado suas fotografias ao político polonês.

APOIO INTERNACIONAL

A campanha de exposição de eleitores de Lula ocorreu em um contexto de aproximação entre apoiadores de Flávio Bolsonaro e segmentos da direita internacional. Antes do primeiro turno, o usuário que lançou a iniciativa “De volta para minha terra” já havia compartilhado apoio ao candidato do PL vindo da Coreia do Sul.

Entre as manifestações de apoio estava a de Hwang Kyo-ahn, ex-primeiro-ministro sul-coreano, que declarou apoio a Flávio nos dias 28 e 29 de setembro. O brasileiro envolvido celebrou as manifestações, acreditando que seus esforços estavam surtindo efeito.

Hwang havia participado de um encontro de grupos conservadores nos Estados Unidos, onde conversou com Eduardo Bolsonaro sobre a situação política do Brasil. Contudo, não há evidências de que Hwang ou Eduardo tenham participado da campanha de exposição dos eleitores de Lula.

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