Sidônio orienta Flávio a se preparar antes de prometer tesourada

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Ministro critica propostas de cortes e defende entendimento sobre juros e orçamento.

O ministro da Secom, Sidônio Palmeira, manifestou críticas ao senador Flávio Bolsonaro, que defendeu a ideia de que a redução da taxa de juros poderia financiar cortes de despesas do governo. Durante uma coletiva de imprensa em Brasília, o ministro destacou a importância de entender a relação entre juros e orçamento.

Sidônio afirmou que cada ponto percentual de redução na taxa de juros representa um impacto de aproximadamente R$ 50 bilhões nas contas públicas. Ele enfatizou que Flávio não possui uma compreensão adequada sobre o tema, sugerindo que o senador deveria se aprofundar mais em questões orçamentárias.

O ministro ainda acusou o senador de querer retirar recursos do povo em vez de dos poderosos, argumentando que suas propostas podem enganar a população. A crítica foi contundente, com Sidônio recomendando que Flávio estudasse mais sobre o assunto.

Recentemente, foi noticiado que a equipe econômica de Flávio Bolsonaro está considerando cortar cerca de 2% do PIB em despesas obrigatórias, o que representaria uma redução de quase R$ 250 bilhões. As áreas que podem ser afetadas incluem Previdência, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e os gastos mínimos com saúde e educação.

Em declarações anteriores, Flávio já havia mencionado que, se eleito, promoveria um “tesouraço” em tudo que considera que atrasa o Brasil. Ele também afirmou que não realizaria cortes que afetassem os que recebem salário mínimo ou aposentados, prometendo que a economia viria do combate à corrupção e da redução da burocracia.

O presidente Lula, em resposta, desafiou Flávio a explicar como seriam obtidos os R$ 250 bilhões necessários para os cortes propostos. O candidato respondeu que uma queda de 1 ponto percentual nos juros liberaria R$ 100 bilhões no orçamento, e que sua eleição poderia resultar em uma redução de 2 a 3 pontos percentuais na taxa, gerando mais de R$ 300 bilhões.

Sidônio contestou essa afirmação, reiterando a pergunta do presidente sobre a origem dos recursos. A discussão sobre os cálculos relacionados aos juros tem sido um ponto de divergência entre os candidatos.

De acordo com estimativas, uma alta de 1 ponto percentual na Selic, mantida por um ano, poderia adicionar cerca de R$ 57,3 bilhões à dívida bruta do país. Essa cifra é próxima ao valor mencionado por Sidônio, mas inferior ao que Flávio sugere.

A campanha de Lula argumenta que os cortes propostos afetariam principalmente os mais pobres. Camilo Santana, senador e ex-ministro da Educação, expressou preocupações sobre possíveis impactos em programas sociais, como Farmácia Popular e Mais Médicos, além de mencionar que o salário mínimo poderia deixar de ter aumentos reais.

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