Metade dos profissionais brasileiros desenvolve tecnologia fora do setor de TI

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Metade dos profissionais brasileiros já cria soluções tecnológicas sem a TI.

Metade dos profissionais em empresas brasileiras já desenvolveu automações, aplicativos, painéis ou integrações sem a formalização de projetos de tecnologia da informação (TI). Um estudo recente revela que 43% dessas criações ocorreram nos últimos seis meses, enquanto 7% já existiam anteriormente.

Esse fenômeno é classificado como uma nova dimensão do shadow IT, chamada “Shadow IT 2.0”. Ao contrário do conceito tradicional, que se refere ao uso de softwares sem o conhecimento da área de TI, o novo cenário abrange aplicações criadas pelos próprios colaboradores com o auxílio da inteligência artificial (IA).

Entre os profissionais que participaram desse tipo de criação, 85,2% o fizeram sem qualquer envolvimento formal da TI. Em 51,1% dos casos, o próprio colaborador desenvolveu a solução individualmente, enquanto 34,1% relataram que o trabalho foi realizado pelo seu time, também sem a participação da área de tecnologia. Apenas 14,8% contaram com apoio pontual da TI.

As soluções criadas fora dos processos formais são diversas. Entre os que já desenvolveram algo, 52% construíram automações de processos, como planilhas e fluxos repetitivos. Outros 47,6% criaram aplicativos ou sistemas internos, como painéis e ferramentas de controle. Além disso, 33% desenvolveram agentes ou assistentes de IA, 18,7% realizaram integrações entre sistemas e plataformas, e 14,4% criaram chatbots ou atendimentos automatizados.

O fenômeno não é exclusivo de profissionais da área de tecnologia. A pesquisa mostra que 62,7% dos C-levels de tecnologia, 57% dos analistas e especialistas, 55,1% dos gerentes e coordenadores, 51,8% dos desenvolvedores e engenheiros de software, e 50,5% dos C-levels de negócios ou operações já criaram soluções fora de projetos formais de TI.

A prática é mais comum em grandes organizações. Nas empresas com mais de mil funcionários, 58,9% dos respondentes já criaram alguma solução por conta própria, em comparação com 40% entre aqueles que trabalham em companhias com até 50 funcionários. O estudo aponta essa diferença, mas não esclarece suas causas.

A expansão da criação autônoma ocorre em um ambiente com regras pouco consolidadas. Para 42,9% dos participantes, suas empresas não possuem diretrizes sobre quais dados corporativos podem ser utilizados em ferramentas de IA. Apenas 26,3% afirmam que trabalham em organizações com regras claras e formalizadas. Entre os demais, 18,6% dizem que as diretrizes existem, mas são mal comunicadas, e 12,2% não sabem informar.

A adoção de IA nas empresas também apresenta padrões fragmentados. Para 26,8% dos respondentes, cada pessoa utiliza as ferramentas de forma independente, sem orientação oficial. Outros 24,2% afirmam que o uso é permitido, mas cada área escolhe suas próprias soluções, sem padronização. Já 18,8% relatam que suas empresas incentivam a IA, mas ainda não estabeleceram diretrizes definidas. Somente 25,1% mencionam incentivo formal acompanhado de regras claras.

O estudo identifica três perfis de adoção. O maior, denominado “criação com orientação fragmentada”, representa 42,7% da amostra. Nesse grupo, 59,2% já criaram alguma solução; 60,9% afirmam que não existem diretrizes sobre dados; e 33,1% dizem que as regras existem, mas são mal comunicadas. Além disso, 86,4% das criações desse perfil ocorreram sem envolvimento formal da TI.

Um especialista destaca que o verdadeiro risco não está nas pessoas experimentando, mas na falta de conhecimento da empresa sobre o que já foi criado, quem utiliza, quais dados estão circulando e quem é responsável pelas soluções caso algo dê errado. A mudança de postura necessária envolve maior visibilidade e acompanhamento desde o início.

A falta de conhecimento técnico é o principal obstáculo para quem deseja criar soluções de forma independente, mencionado por 52,6% dos entrevistados. Preocupações com segurança e governança aparecem para 17,8%, enquanto 17,1% afirmam que não enfrentam barreiras e já desenvolvem quando necessário.

Os dados do estudo revelam que, entre aqueles que criaram

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