Crescimento do mercado de fraudes online e redução de custos com inteligência artificial são temas em destaque

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Fraudes online geram perdas bilionárias e desafiam a segurança global.

Vítimas de fraudes online enfrentaram perdas de US$ 442 bilhões em 42 países no último ano, um valor que supera estimativas do comércio global de cocaína. Este cenário alarmante é impulsionado pela crescente utilização da inteligência artificial (IA) e pela disponibilidade de ferramentas a preços acessíveis em mercados clandestinos digitais.

De acordo com dados, cerca de 57% dos adultos globalmente já foram alvos de fraudes. Nos Estados Unidos, as perdas decorrentes de crimes cibernéticos subiram de US$ 17,8 milhões em 2001 para quase US$ 21 bilhões no ano passado. Especialistas alertam que, sem uma coordenação eficaz entre os países na aplicação da lei, o crescimento desse problema pode ser exponencial.

Mercado clandestino de golpes

A tecnologia facilitou a expansão do cibercrime, criando uma cadeia de fornecimento acessível. Dados roubados, contas falsas e serviços de lavagem de dinheiro são facilmente adquiridos online por grupos menores, que rapidamente se reorganizam após operações policiais.

Pesquisadores apontam que ferramentas de exploração podem ser acessadas por assinaturas de apenas US$ 500 por mês, enquanto serviços de envio em massa de e-mails custam apenas US$ 1. A facilidade e o baixo custo das operações têm levado muitas empresas a reconhecer que combater cada tática isoladamente é inviável. O mercado de seguros cibernéticos, por sua vez, cresceu 150% nos últimos cinco anos, com empresas investindo entre 1% e 2% de seu faturamento em tecnologia da informação e cibersegurança.

O caso Xinbi

Um dos maiores exemplos de fraude documentada é a plataforma Xinbi Guarantee, que operou cerca de US$ 24 bilhões em transações até ser desmantelada em 2026. Autoridades americanas apreenderam seus canais no Telegram e carteiras de criptomoedas, revelando uma cadeia de fornecedores que incluía vendedores de dados pessoais e software de deepfake.

Os investigadores descobriram que um comprador pagou US$ 834 por dados pessoais, enquanto outros gastaram milhares em software de IA. Um serviço de tradução em tempo real, disponível por menos de US$ 20 mensais, oferecia acesso a roteiros de golpes românticos, adaptados a preferências pessoais.

Após o fechamento da Xinbi, concorrentes aproveitaram a oportunidade, afirmando que diversificariam seus canais de distribuição, mostrando a resiliência do cibercrime e a capacidade dos grupos de se adaptarem rapidamente.

Dispersão para fora do Sudeste Asiático

Com o aumento da pressão sobre os complexos de Mianmar e Camboja, grupos criminosos ligados à China começaram a se dispersar para a África e o Sri Lanka, além de operações detectadas em Dubai, Albânia e Ucrânia. Essa mudança de estratégia tem resultado em uma estrutura mais localizada e efêmera, sustentada por mercados digitais clandestinos.

Dados da Interpol mostram um aumento no número de nacionalidades entre as vítimas de fraudes, que saltou para 89, refletindo a globalização do problema. Um exemplo é a operação no Quênia, onde autoridades apreenderam equipamentos e passaportes de cidadãos chineses envolvidos em esquemas de investimento fraudulentos.

Golpes mais rápidos com IA

A velocidade com que as vítimas pagam após o primeiro contato tem diminuído, com quase dois terços realizando pagamentos em até 24 horas. A análise de fraudes indica que criminosos estão utilizando plataformas legítimas para criar páginas falsas de maneira rápida e fácil, aumentando a incidência de phishing.

Os geradores de código de IA permitem que mesmo pessoas sem habilidades de programação criem logins bancários falsos em poucos minutos, evidenciando a crescente sofisticação das fraudes.

Big techs sob pressão

As redes sociais se tornaram um canal central para fraudes, enfrentando crescente pressão para agir. A Meta, por exemplo, removeu mais de 16 milhões de contas associadas a fraudes e retirou milhões de anúncios fraudulentos.

Apesar dos esforços, a empresa foi acusada de lucrar com atividades fraudulentas e enfrenta processos por supostamente facilitar anúncios enganosos. A Meta reconhece a dificuldade em identificar fraudes, dado que os criminosos imitam anunciantes legítimos.

Cooperação e limites

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