Agro deve se antecipar e buscar diálogo com políticos antes da próxima crise

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Propostas para uma relação duradoura entre o agro e a política.

Atualmente, quando surgem crises no setor agrícola, como a queda nos preços ou a falta de crédito, é comum que produtores busquem auxílio de deputados, senadores e governadores. Após expor suas dificuldades, a interação muitas vezes cessa até que uma nova emergência surja.

É necessário transformar essa abordagem. Com a formação de novas legislaturas, surge a oportunidade de estabelecer um relacionamento contínuo, com propostas claras e revisões periódicas a cada seis meses.

Devemos considerar todas as cadeias produtivas que compõem a alimentação do brasileiro, como arroz, feijão e proteínas. Embora cada setor enfrente suas próprias dificuldades, muitos desafios são compartilhados, como acesso a crédito, seguros e condições de produção.

O primeiro passo é delinear as questões prioritárias que exigem resolução imediata, assim como aquelas que demandarão anos de trabalho. É essencial formular um plano que se sustente independentemente da mudança de governo.

Entregar um extenso documento aos parlamentares não é suficiente. É vital apresentar propostas claras, explicando os problemas enfrentados, quem é afetado e qual solução se espera. O conhecimento técnico é nosso, e devemos torná-lo acessível.

Um pedido de apoio à produção de feijão, por exemplo, deve detalhar o impacto da perda financeira sobre o abastecimento e a importância de pesquisa e infraestrutura para a rentabilidade do setor.

Um aspecto frequentemente negligenciado é o retorno. A cada seis meses, é fundamental revisar com os parlamentares e suas equipes o andamento das propostas. Identificar obstáculos e as partes envolvidas é crucial para a continuidade dos esforços.

Devemos chegar a essas reuniões com dados e informações precisas. Se uma proposta não está bem elaborada, é nossa responsabilidade corrigi-la. Representar uma cadeia produtiva vai além de apenas listar pedidos.

As Câmaras Técnicas, Temáticas e Setoriais desempenham um papel importante nesse processo. Esses espaços reúnem produtores e especialistas, e é necessário potencializar esse conhecimento para direcionar ações eficazes.

Essas câmaras devem funcionar como Centros de Inteligência para as diversas cadeias produtivas. Acompanhando as necessidades regionais, elas poderão consolidar demandas que exigem soluções em nível nacional, levando informações claras aos legisladores.

Não se trata de criar novas estruturas, mas sim de dar continuidade ao trabalho já realizado. Monitorar a produção e as prioridades ajuda a organizar informações relevantes antes das reuniões.

Identificamos parlamentares que compreendem as necessidades do agro, bem como aqueles que podem se interessar pela agenda alimentar. É importante dialogar com representantes de diferentes áreas, como saúde e economia, pois todos têm interesse na produção e no consumo de alimentos.

Os parlamentares buscam resultados que possam apresentar na próxima eleição. É possível reconhecer publicamente o trabalho colaborativo e mostrar como parlamentares estão contribuindo para soluções reais, mantendo uma agenda que transcenda os ciclos eleitorais.

A união em torno do tema da alimentação pode fortalecer essas iniciativas. Cada cadeia tem suas prioridades, mas é fundamental buscar conjuntamente melhorias na produção e no acesso aos alimentos, garantindo que tanto consumidores quanto produtores sejam beneficiados.

Estamos promovendo essa abordagem no Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe). É essencial estimular o consumo, a pesquisa e as condições de produção do feijão, reconhecendo que parte desse trabalho depende de nós e parte requer decisões governamentais.

Minha sugestão é unir as cadeias interessadas e estabelecer uma agenda para o período de 2027 a 2030, apresentando-a no início dos novos mandatos. Depois de seis meses, devemos retornar com essa agenda e avaliar o que foi realizado.

Ao final do mandato, podemos identificar as questões que foram resolvidas com a colaboração dos legisladores. Já temos as fotos das audiências; agora, precisamos transformar esse relacionamento em resultados concretos para os produtores e para aqueles que colocam alimentos na mesa.

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