Museu do Doce da Ufpel sedia lançamento de romance de Alexandre Reis
Lançamento do romance ‘O Filósofo da Rua XV’ acontece no Museu do Doce da Ufpel.
O Museu do Doce da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) será o palco do lançamento do romance ‘O Filósofo da Rua XV – O sorriso de Hegésias’, nesta quinta-feira, 15, às 18h. A obra, escrita pelo professor Alexandre Reis, é publicada pela editora Literíssima, de Belo Horizonte.
O evento contará com uma apresentação do livro, seguida de uma conversa com o público, leitura de trechos e uma sessão de autógrafos. A mesa de conversa será composta pela professora e crítica literária Mitizi de Miranda Gomes e pelo filósofo Luis Rubira, ambos da Ufpel. A entrada é gratuita.
A presença de Mitizi e Luis Rubira tem como objetivo enriquecer as discussões sobre o romance, unindo as áreas da Literatura e da Filosofia. A atividade também proporcionará uma reflexão sobre Pelotas, sua memória cultural e os espaços urbanos que permeiam a narrativa.
Contexto presente no município gaúcho
Ambientado inteiramente em Pelotas, o romance narra a história de um filósofo que, vindo de Pernambuco, chega à cidade em sua jornada rumo à fronteira com o Uruguai. Inicialmente acreditando que sua passagem seria breve, ele se vê envolvido em encontros que mudam seu percurso nas ruas, praças, cafés e livrarias da cidade.
A Rua XV de Novembro é central na trama, e locais emblemáticos como a Praça Coronel Pedro Osório, o Mercado Público e o Café Aquários são destacados. A obra explora a arquitetura, a vida cotidiana e as contradições históricas de Pelotas, apresentando a cidade como um personagem ativo na narrativa.
Segundo Alexandre, Pelotas não é apenas o cenário dos acontecimentos, mas uma força que provoca encontros e altera decisões. O autor busca retratar a cidade em sua beleza e também em suas complexidades históricas, incluindo a herança do passado escravocrata.
A história
No enredo, o protagonista descobre um manuscrito atribuído a Hegésias de Cirene, um filósofo da antiguidade conhecido como o Persuasor da Morte. A obra de Hegésias desapareceu, e seu pensamento sobreviveu principalmente através de relatos de seus opositores. Durante sua estadia em um hotel, o filósofo se dedica à tradução desse texto.
O manuscrito serve como uma sombra que levanta questões intrigantes, como o impacto do retorno de um pensamento perdido em um tempo diferente e a influência de ideias conhecidas apenas pela voz de seus críticos. O romance provoca reflexões sobre o que um livro pode significar para alguém que acredita ter tomado decisões definitivas sobre sua vida.
Além disso, o autor entrelaça tradições que parecem distantes, unindo a filosofia grega à poesia popular nordestina, com Hegésias coexistindo com figuras como Lobo da Costa. Alexandre ressalta que a transição do ensaio filosófico para o romance permitiu uma nova abordagem sobre a morte voluntária.
O autor explica que, por muitos anos, escreveu ensaios sobre o tema, seguindo a rigidez do argumento e a precisão nas fontes. “A literatura me exigiu que o pensamento ganhasse corpo, endereço e temperatura. O conceito encontra seus limites, enquanto a vida continua para além deles”, conclui.
Sobre o autor
Alexandre Reis é professor do curso de Gestão Ambiental e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Ufpel. Com doutorados em Filosofia e em Educação em Ciências, Química da Vida e Saúde pela Ufrgs, ele é autor de oito livros e coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Suicídio e Modos de Vida (Lysis).