FMI alerta que IA pode impactar 40% dos empregos globais e dificultar a entrada de jovens no mercado de trabalho
FMI revisa para baixo a projeção de crescimento econômico do Brasil.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou uma redução nas projeções de crescimento para o Brasil, refletindo preocupações sobre o impacto da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho global. O relatório destaca que cerca de 40% dos empregos no mundo poderão ser afetados pela automação, com economias avançadas enfrentando um impacto ainda maior, de até 60%.
A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, enfatizou que a tecnologia pode tanto aumentar a produtividade em algumas funções quanto eliminar outras, resultando em uma transformação significativa no mercado de trabalho. O alerta foi dado durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, realizadas em Bangkok, Tailândia.
Georgieva observou que o aumento dos investimentos em IA está gerando uma demanda crescente por infraestrutura tecnológica, o que pode ter efeitos positivos no crescimento econômico, especialmente na região asiática. Contudo, ela descreveu a transformação do mercado de trabalho como um “tsunami de movimento lento”, que poderá modificar profundamente a forma como as pessoas trabalham e vivem.
“IA, ame-a ou odeie-a. Ela já está aqui”, afirmou Georgieva.
Ásia como protagonista nos investimentos em IA
Conforme Georgieva, o crescimento dos investimentos em inteligência artificial poderá impulsionar as economias asiáticas avançadas em até 1 ponto percentual e as emergentes entre 0,2 e 0,8 ponto percentual. Esse crescimento é atribuído tanto ao aumento da demanda quanto aos investimentos necessários para desenvolver a infraestrutura de IA.
Os benefícios esperados advêm da necessidade de equipamentos e recursos tecnológicos para a operação de sistemas de IA. Georgieva destacou que os Estados Unidos, China e Índia são os principais países na produção da cadeia de fornecimento de IA, enquanto várias empresas fornecedoras de equipamentos estão localizadas na Ásia, incluindo a Tailândia, sede das reuniões anuais deste ano.
Um estudo preliminar revelou que já 10% dos empregos nos EUA requerem conhecimentos em inteligência artificial. Enquanto as vagas em funções rotineiras diminuem, surgem oportunidades em setores como construção civil e data centers, que são essenciais para armazenar e processar informações digitais.
Desafios para jovens no mercado de trabalho
A diminuição das vagas para profissionais iniciantes é uma preocupação crescente entre autoridades internacionais. Tharman Shanmugaratnam, presidente de Singapura, destacou a necessidade urgente de abordar a queda na demanda por recém-formados, enfatizando que a automação pode dificultar a entrada de jovens no mercado de trabalho.
“Há um problema específico que precisamos resolver muito em breve: o primeiro degrau no emprego, o primeiro trabalho depois da formatura, está enfrentando uma demanda menor”, disse.
Tradicionalmente, os jovens iniciam suas carreiras em funções com tarefas repetitivas e, com o tempo, avançam para cargos de maior responsabilidade. A automação dessas atividades pode dificultar o acesso a essas primeiras oportunidades, limitando as trajetórias profissionais.
Shanmugaratnam também alertou que a IA pode exacerbar as desigualdades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, tanto em termos de crescimento econômico quanto na criação de empregos.
“A IA vai ampliar essa divergência se formos passivos demais diante dela”, afirmou. Os países precisam usar a tecnologia para gerar empregos de qualidade.
Visão otimista do Banco Mundial sobre países emergentes
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, apresentou uma perspectiva diferente sobre o impacto da IA nos empregos de início de carreira. Ele expressou ceticismo quanto à eliminação desses empregos, argumentando que as mudanças mais significativas ocorrerão nas economias avançadas, onde os grandes modelos de IA estão sendo desenvolvidos.
Banga sugeriu que, nos países emergentes, é possível utilizar sistemas menores de IA que requerem menos capacidade de processamento, podendo gerar ganhos de produtividade em setores como agricultura, saúde e educação, sem a necessidade de grandes estruturas de dados.
Implicações para impostos e educação
Georgieva também alertou que a inteligência artificial pode alterar a forma como os governos arrecadam impostos. A expansão da tecnologia pode mudar a composição da economia, reduzindo a participação do trabalho humano e aumentando a importância dos investimentos em tecnologia.
Os governos precisarão adaptar seus sistemas tributários, que historicamente dependem da renda e das atividades econômicas das pessoas. Além disso,