Aves de rapina em Sevilha encontram refúgio em painéis solares
Placas solares oferecem abrigo inesperado para aves de rapina na Espanha.
A transição energética para fontes renováveis, como a solar, levanta questões sobre o impacto visual e ambiental que essas instalações podem causar. Embora a instalação de moinhos eólicos e painéis solares possa alterar significativamente a paisagem, pesquisas recentes revelam um aspecto positivo das placas fotovoltaicas.
Estudos indicam que as placas solares têm um efeito benéfico inesperado, contribuindo para a regeneração de solos e servindo como abrigo para diversas espécies de aves. Em Sevilha, na Espanha, uma usina fotovoltaica de 150 MW tem se tornado um habitat para várias aves de rapina, que utilizam o espaço para pousar e caçar.
Uma equipe de pesquisa da Universidade de Málaga monitorou a presença de seis espécies de aves de rapina na usina durante os primeiros 2,5 anos de operação. Entre as espécies observadas estão o gavião-de-asa-redonda, o peneireiro-vulgar, o milhafre-preto, o milhafre-real, a águia-calçada e a coruja-do-mato.
Essas aves utilizam os painéis solares como poleiros e locais de caça, embora não tenham sido registradas atividades de reprodução no local. O estudo não documentou colisões ou mortes associadas à instalação, mas isso não exclui a possibilidade de que ocorrências possam existir.
Impacto ambiental
De acordo com projeções, a energia fotovoltaica se tornará a principal fonte de energia elétrica no mundo até 2027. Na Espanha, a capacidade instalada de energia solar tem crescido rapidamente, passando de pouco mais de 15 GW em 2019 para uma previsão de 41,5 GW em 2025.
Apesar do crescimento, ainda há lacunas no conhecimento sobre o impacto ambiental das usinas solares na fauna local a médio e longo prazo. Estudos sobre o tema são limitados, e a pesquisa em campo é essencial para determinar as melhores práticas na construção de novas instalações.
As usinas solares frequentemente ocupam áreas agrícolas, que são habitats críticos para aves de estepe, um grupo em risco na Espanha. A perda e fragmentação de habitat devido à expansão das instalações de energia renovável é uma preocupação crescente, levando a solicitações para que o planejamento considere o valor ecológico do terreno.
Um estudo realizado em usinas na Califórnia e Nevada estimou que, no pior cenário, ocorrem cerca de 2,49 colisões de aves por megawatt por ano. No entanto, as condições e espécies presentes nesses locais são diferentes das encontradas na Espanha.
A usina em questão apresenta módulos de inclinação fixa e espaçamento uniforme, situada em uma paisagem predominantemente agrícola. A pesquisa sugere que, devido à escassez de poleiros naturais, os elementos artificiais, como os módulos solares, podem servir como pontos de observação para as aves.
Limitações
Embora haja intenção de expandir essa pesquisa para outras usinas solares na Andaluzia, o estudo atual se limita a uma única instalação, sem dados anteriores sobre a comunidade de aves de rapina. Isso dificulta a avaliação do impacto real da usina. A evolução da situação ao longo do tempo, especialmente com o aumento no número de usinas, ainda precisa ser acompanhada.
Além disso, a presença de aves de rapina na área não significa necessariamente que elas estejam se beneficiando; pode ser uma adaptação a novas condições, enquanto espécies mais vulneráveis podem ser prejudicadas. A ausência de registros de mortes não garante que não ocorram, e recomenda-se um monitoramento contínuo da mortalidade, utilizando métodos adequados para localizar carcaças que podem desaparecer rapidamente.