Uma Cidade, um Corpo desvela histórias ocultas da ditadura em Porto Alegre

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Documentário explora a memória da ditadura militar em Porto Alegre através de locais marcantes.

Manoel Raimundo Soares foi preso pela ditadura brasileira em Porto Alegre em 1966. Sessenta anos depois, a artista Manoela Cavalinho realiza um registro dos locais de memória e investiga as marcas deixadas pelo regime militar na capital gaúcha no curta documental ‘Uma cidade, um corpo’. O filme, dirigido por Vinícius Lopes e Luciana Mazeto, está previsto para ser lançado no primeiro semestre de 2027.

O projeto vai além do documentário e inclui uma série chamada ‘Mais que um passado’. Esta série apresenta três entrevistas que ampliam a documentação dos eventos e do contexto histórico da cidade. Os vídeos, que servem como complemento para o filme, já estão disponíveis no YouTube da produtora Pátio Vazio. Os entrevistados incluem a historiadora Anita Carneiro, o advogado Paulo de Tarso Carneiro e a artista visual Manoela Cavalinho.

O curta-metragem, que se baseia na obra ‘Epigramas’, uma intervenção urbana de Manoela, aborda a história da ditadura em Porto Alegre por meio de eventos e locais significativos que ainda são ignorados pela população. O filme também inclui relatos de pessoas que viveram aquela época e relembram a morte de Manoel, um dos primeiros casos notórios durante o regime militar, conhecido como ‘o caso das mãos amarradas’.

De acordo com o diretor Vinícius Lopes, “à medida que investigamos a relação histórica da cidade com a ditadura, percebemos a importância desse local nas disputas simbólicas e nas práticas de violência e supressão de direitos humanos durante o regime”. A Ilha do Presídio, também conhecida como Ilha das Pedras Brancas, foi um dos espaços utilizados nas décadas de 1960 e 1970 para a detenção de presos políticos e foi visitada pela equipe de produção.

Com uma duração de 36 minutos, o filme examina o contraste entre o que foi apagado e o que permanece exposto e celebrado nas ruas de Porto Alegre. Ele reflete sobre como o espaço urbano influencia a mentalidade de seus habitantes. A diretora Luciana Mazeto destaca: “Através de seus símbolos, supressões e monumentalidades, as cidades também cristalizam mensagens que muitas vezes não percebemos”. Ela provoca o espectador com a pergunta: “Você sabe o que está escondido, ao redor da sua casa?”.

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