Líderes afirmam que CEOs devem se envolver diretamente com a inteligência artificial

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Desafios da Inteligência Artificial: CEOs buscam ajuda para implementação, não para monetização.

Cerca de 80% dos CEOs que buscam orientação de Fabio Camara, Executive Chairman da FCamara, estão interessados em iniciar o uso de inteligência artificial (IA). Apenas 2% deles questionam sobre como gerar receita a partir da tecnologia. Essa realidade, observada nas interações do executivo com líderes empresariais, revela uma lacuna significativa entre a experimentação de soluções de IA e a conversão dessas inovações em resultados financeiros tangíveis.

O assunto foi abordado no painel “Dentro da sala do CEO: o que ouvimos de quem lidera”, realizado em 15 de outubro, durante o IT Forum Upload CEO, com a participação de Camara e Cecilio Fraguas, CEO da Jabuti. Os executivos concordam que o foco das empresas evoluiu de simplesmente testar a tecnologia para enfrentar desafios mais complexos, como custos operacionais, governança, confiabilidade e a integração da IA nos processos corporativos.

Camara observa que os dados apresentados são estimativas. Aproximadamente 15% dos CEOs que o consultam já iniciaram projetos e buscam formas de engajar suas equipes. Outros 3% expressam preocupações sobre governança e monitoramento, especialmente em relação à exposição de dados e ao uso de diversas ferramentas sem um controle centralizado. Apenas 2% se concentram em como transformar a IA em uma fonte de receita.

Escalar a IA muda o problema

Fraguas acredita que o desafio se transforma à medida que os projetos evoluem da fase de teste para a operação. Em 2024, a preocupação era garantir que um agente respondesse corretamente. Com a transição para ambientes produtivos, é crucial assegurar que esses agentes funcionem em escala, lidando com milhares de interações diárias.

“Como monitorar milhares de conversas diariamente?”, questiona Fraguas, ao contrastar a supervisão de um projeto-piloto com as demandas de uma operação ampliada. Ele sugere que a solução reside na criação de mecanismos que identifiquem falhas, monitorem o desempenho e proponham melhorias, incluindo agentes supervisores e um monitoramento semelhante ao utilizado em sistemas corporativos tradicionais.

A integração de IA também apresenta desafios. Os agentes dependem de APIs e sistemas existentes nas empresas, que podem ser lentos ou falhar. Fraguas defende que as soluções de IA sejam tratadas como parte da infraestrutura operacional, com mecanismos de acompanhamento e correção adequados.

Os custos são outro obstáculo significativo. Camara observa que empresas que avançaram para a escala enfrentaram despesas superiores às esperadas. Consequentemente, muitos projetos têm priorizado aplicações internas e processos de menor risco, buscando eficiência sem expor a IA diretamente ao contato com clientes.

O executivo relata que algumas empresas que já implementaram ferramentas como ChatGPT e Copilot para seus funcionários ainda não perceberam resultados proporcionais ao investimento. Em muitos casos, conselhos de administração hesitam em permitir o uso de IA no atendimento ao cliente, temendo erros que possam prejudicar a experiência ou resultar em decisões equivocadas, como em crédito.

A dificuldade persiste mesmo após a implementação. Camara destaca que alguns projetos falham em operar adequadamente após poucos meses, à medida que os modelos se alteram ou perdem relevância. Essa observação reforça a necessidade de manutenção contínua, monitoramento e adaptação.

O que muda para os CIOs

A transformação também questiona o papel dos líderes de tecnologia. Camara argumenta que o modelo atual, onde o CIO é responsável pela tecnologia enquanto as áreas de negócio definem suas aplicações, enfrenta crescentes limitações.

“Ambos não têm a menor ideia do que estão fazendo”, afirma, referindo-se a CEOs e CIOs que ainda tentam entender as possibilidades e impactos da IA. Essa provocação indica que, embora as responsabilidades sejam distintas, a maioria das lideranças ainda está em fase de aprendizado sobre a mudança.

Camara critica a assimetria entre orçamento, responsabilidades e reconhecimento. Os orçamentos de tecnologia aumentam lentamente, enquanto as áreas de negócio recebem recursos para desenvolver sistemas. Quando uma iniciativa é bem-sucedida, o reconhecimento vai para a área de negócio; se falha, a responsabilidade geralmente recai sobre o CIO.

“Em breve, o museu também abrigará um CIO”, diz Camara, questionando a continuidade do cargo em sua forma atual. Ele acredita que funções de governança e controle continuarão sendo necessárias, mas poderão ser distribu

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