Conflito nas Ruas: Polícia Utiliza Gás Lacrimogêneo em Protestos Explosivos Contra o Custo de Vida na França
Conflitos marcam protestos contra o custo de vida na França.
A polícia francesa enfrentou manifestantes em diversas cidades neste sábado (17), utilizando gás lacrimogêneo durante uma série de protestos contra o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. Esses atos, que mobilizaram milhares de pessoas, estão entre os mais intensos registrados no país nos últimos anos.
Até o meio-dia, as autoridades relataram 140 manifestações fora de Paris, com a participação de aproximadamente 32,8 mil pessoas. O governo francês atribuiu os episódios de violência a grupos considerados de “ultraesquerda”.
Os protestos começaram no mês anterior, em escolas de ensino médio localizadas em áreas desfavorecidas da periferia norte de Paris. Inicialmente, os estudantes pediam mais professores e melhorias na infraestrutura escolar. Com o tempo, as reivindicações se ampliaram para incluir críticas à desigualdade social e à queda do poder de compra da população.
Incidentes de violência foram registrados em várias cidades, incluindo vandalismo em Marselha, onde a sede da prefeitura foi danificada. O governo decidiu enviar reforços policiais para a cidade após conversas com autoridades locais.
Em Paris, um forte esquema de segurança foi implementado nas áreas centrais, especialmente nas proximidades de pontos turísticos icônicos. As rotas autorizadas para as manifestações não incluíam locais como a Avenida Champs-Élysées e o Arco do Triunfo.
Manifestantes, muitos deles usando coletes de alta visibilidade, bloquearam ruas, evocando lembranças do movimento dos “coletes amarelos”, que se destacou durante o mandato anterior do presidente Emmanuel Macron. Uma manifestante de 19 anos expressou que a luta é devido ao custo de vida insuportável e à violência contra estudantes que apenas buscam melhores condições de ensino.
Um grupo de aproximadamente 100 pessoas se dirigiu ao local de concentração dos protestos, protestando contra a polícia com gritos de ordem. O presidente Macron, que pediu calma, enfrenta um cenário político complicado e crescente pressão sobre a economia francesa.
As tentativas do governo de reduzir a dívida pública não conseguiram acalmar os investidores, resultando em custos de financiamento que atingiram níveis recordes em mais de 20 anos. A atuação das forças de segurança tem sido criticada, especialmente após ferimentos graves em manifestantes, incluindo um adolescente que perdeu uma das mãos devido a uma granada de efeito moral.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, informou que mais de 900 policiais também ficaram feridos durante os confrontos. O órgão que fiscaliza a atuação policial está investigando pelo menos 24 denúncias de violência por parte dos agentes de segurança.
A França havia suspendido o uso de granadas de efeito moral em manifestações estudantis, mas o ministro do Interior indicou que esses equipamentos poderiam ser utilizados novamente. Chamadas nas redes sociais para a participação de movimentos anteriores parecem ter impulsionado a mobilização, aumentando a possibilidade de protestos ainda mais significativos.
O movimento dos “coletes amarelos”, que começou em 2018 em resposta ao aumento de impostos sobre combustíveis, evoluiu para uma série de protestos contra o alto custo de vida e a desigualdade social. Embora tenha perdido força após a promessa de cortes de impostos, a mobilização deste sábado mostra que a insatisfação continua a crescer.
Yannick Maillou, um professor que participou do movimento anterior, destacou que vários pontos de concentração foram organizados para os protestos, com sindicatos incentivando a participação da população.