Projeto na Espanha busca demonstrar viabilidade da geração de eletricidade a partir da água quente dos oceanos

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Ilhas Canárias testam tecnologia de energia maremotérmica para geração contínua de eletricidade.

O planeta Terra é uma vasta fonte de energia, e as ondas do mar já são reconhecidas por seu potencial como fonte renovável. Um método inovador, conhecido como energia maremotérmica, busca explorar a diferença de temperatura entre a superfície e as profundezas do oceano para gerar eletricidade de forma contínua.

As Ilhas Canárias, na Espanha, estão posicionadas para se beneficiar significativamente dessa tecnologia. O sol aquece a superfície do oceano, especialmente em regiões tropicais, onde a temperatura da água pode ser consideravelmente mais alta em comparação com as águas profundas. Essa diferença térmica pode alcançar até 20 °C, permitindo a conversão de energia térmica oceânica (OTEC).

A OTEC não é uma ideia recente; há mais de 140 anos, o potencial do oceano para fornecer energia limpa é explorado. Estudos indicam que a utilização das águas ao redor dos Estados Unidos por meio da OTEC poderia atender à demanda elétrica do país inteiro, demonstrando a viabilidade dessa tecnologia em larga escala.

Como funciona a OTEC?

Os sistemas OTEC aproveitam a diferença de temperatura para gerar eletricidade através de um ciclo contínuo. O processo envolve a captação da água quente da superfície, que está em torno de 24 °C, para aquecer um fluido de trabalho, geralmente amônia, que possui um baixo ponto de ebulição. O vapor gerado é utilizado para acionar uma turbina e, assim, produzir eletricidade.

Simultaneamente, a água é extraída das profundezas do oceano, onde as temperaturas podem chegar a 4 °C. Essa água fria resfria o vapor de amônia, permitindo que ele se condense e reinicie o ciclo, possibilitando a geração de eletricidade de forma contínua.

Projeto em desenvolvimento

Atualmente, um projeto inovador está sendo testado nas Ilhas Canárias, onde a empresa Global OTEC está implementando o primeiro sistema desse tipo na Espanha, em colaboração com a Plataforma Oceânica das Canárias (PLOCAN). Iniciado em 2022, o projeto recebeu um financiamento de 3,5 milhões de euros do programa Horizonte Europa da União Europeia, possibilitando o desenvolvimento de um protótipo que está sendo testado. Esta estrutura cilíndrica flutuante incorpora um sistema para captar água fria e realizar o ciclo de geração de energia.

Se a tecnologia se mostrar eficaz, poderá oferecer uma solução viável para regiões como as Ilhas Canárias, que enfrentam desafios energéticos, dependem de importações externas e são altamente dependentes de combustíveis fósseis.

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