Mergulhador solitário impede desabamento de catedral submersa sob 6 metros de água por cinco anos com 25.000 sacos de concreto
Engenheiros realizam feito extraordinário para salvar catedral inglesa em meio a inundações.
No início do século XX, a Catedral de Winchester, uma das mais antigas da Inglaterra, enfrentava um grave problema de afundamento devido ao terreno instável. Para solucionar essa questão, uma abordagem inovadora foi adotada: um mergulhador foi enviado para trabalhar sob os alicerces inundados da catedral.
William Walker, o mergulhador escolhido, passou cinco anos e meio posicionando cerca de 26.000 sacos de concreto sob a água, em condições de visibilidade quase nula. Seu trabalho não apenas garantiu a estabilidade da catedral, mas também se tornou um marco na história da engenharia.
Uma catedral construída sobre uma armadilha geológica
A construção da Catedral de Winchester teve início em 1079, em uma localização problemática, próxima ao leito do rio Itchen. O solo sob a catedral era composto por turfa e sedimentos úmidos, o que complicava a fundação e exigia soluções criativas por parte dos construtores medievais.
Durante o século XIII, os engenheiros utilizaram estacas de carvalho e troncos de faia para reforçar a estrutura, mas o peso da catedral continuou a comprimir o solo, levando a sérios problemas estruturais ao longo dos anos.
As rachaduras anunciaram o desastre
Em 1905, fissuras significativas começaram a aparecer nas paredes da catedral, indicando que a situação era crítica. A análise realizada por especialistas revelou que os alicerces estavam sobre um solo saturado de água, o que tornava a estabilidade da estrutura ainda mais vulnerável.
O desafio era reforçar a fundação sem causar mais danos ao terreno. A solução encontrada foi a proposta de um mergulhador para trabalhar nas escavações inundadas, uma ideia que parecia quase impossível.
O problema estava a seis metros abaixo da água
As escavações convencionais se mostraram ineficazes, pois a água inundava rapidamente as valas. Em março de 1906, a proposta de colocar um mergulhador nas águas turvas tornou-se a única alternativa viável. A ideia era que ele removesse os materiais deteriorados e colocasse sacos de concreto diretamente no fundo.
Trabalhando às cegas sob uma catedral
William Walker, um mergulhador experiente, foi encarregado da tarefa. Ele descia em poços inundados, onde a visibilidade era praticamente inexistente, e guiava-se pelo tato para remover os materiais deteriorados e posicionar os sacos de cimento hidráulico.
25.800 sacos colocados um a um
Durante sua missão, que se estendeu por 235 escavações, Walker trabalhou em turnos de quatro horas, passando até seis horas diárias submerso. Ele repetiu a operação de colocar manualmente cerca de 25.800 sacos, tornando-se uma figura central em um dos trabalhos de fundação mais notáveis da época.
O momento de retirar a água
Após a solidificação da base construída por Walker, os operários puderam bombear a água das escavações com segurança, permitindo a conclusão dos novos apoios da catedral. O trabalho envolveu cerca de 150 trabalhadores e a colocação de aproximadamente 114.900 blocos de concreto, além de 900.000 tijolos para os reparos.
O herói que permaneceu sob os alicerces
William Walker se tornou uma figura célebre após sua contribuição, recebendo reconhecimento do rei Jorge V. Infelizmente, sua vida foi interrompida pela pandemia de gripe em 1918. Hoje, uma estátua em sua homenagem na catedral recorda seu feito, enquanto a estrutura continua a ser monitorada, mais de um século após sua intervenção.