Fruta do amor se destaca na agricultura paulista

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A lichia se consolida como uma fruta promissora fora da temporada de festas.

Conhecida como “fruta do amor”, a lichia está conquistando um espaço significativo no mercado da região de Avaré. Com novas técnicas de conservação e o cultivo de variedades tardias, os produtores estão conseguindo estender o período de comercialização, que anteriormente se restringia às festas de fim de ano.

A fruta, que tradicionalmente é consumida entre novembro e janeiro, está passando por transformações na sua dinâmica produtiva. O uso de métodos como congelamento e liofilização está se tornando crucial, principalmente para aproveitar frutos que não atendem aos padrões exigidos pelo mercado externo. Essa mudança ocorre juntamente com investimentos em diversificação varietal.

No município de Itaí (SP), a agricultura familiar tem se destacado nesse processo. Com o suporte técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), produtores ampliaram suas áreas cultivadas e introduziram novas variedades, como gigante, coração, crocante, fogo, ouro, tutti-frutti e laranja, além da já conhecida bengal.

A diversificação das variedades tem impacto direto nas características comerciais da lichia. Enquanto a variedade Bengal tem um peso médio de cerca de 20 gramas, a gigante pode alcançar até 40 gramas por fruto. A variedade coração, por sua vez, é valorizada pela facilidade de abertura da casca, um atributo muito apreciado pelos consumidores.

A expansão da lichia para o mercado internacional trouxe a necessidade de ajustes operacionais. A crescente demanda por padronização estética fez com que o descarte de frutas com pequenas imperfeições visuais aumentasse. Para mitigar esse problema, os produtores estão intensificando o processamento da polpa, que é destinada ao congelamento em ultra-congeladores. Parte da produção também está sendo liofilizada, resultando em produtos com maior durabilidade.

Além do consumo in natura, a lichia está sendo incorporada em novos segmentos de mercado. A polpa processada está abastecendo indústrias alimentícias, e derivados estão ampliando as oportunidades comerciais. Entre os produtos desenvolvidos estão snacks, geleias e bebidas destiladas.

Todo esse avanço se insere na Cadeia Produtiva Local (CPL) da lichia, que envolve municípios do sudoeste paulista. Em 2025, o projeto recebeu recursos estaduais para fortalecer pequenos produtores. De acordo com especialistas da CATI, a região possui condições favoráveis para a fruticultura e um calendário de colheita distinto de outros polos globais.

Conforme informações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a produção fora da janela tradicional dos mercados internacionais representa uma nova oportunidade comercial. A oferta da fruta em períodos de menor disponibilidade global contribui para elevar a competitividade dos produtores locais.

Origem do título “fruta do amor”

A lichia carrega um rico simbolismo histórico na China, com registros que remontam à Dinastia Tang, no século VIII, onde o fruto era associado a gestos de prestígio e devoção. Essa tradição cultural ajudou a firmar a imagem da fruta como um símbolo de sorte e prosperidade.

Atualmente, o consumo da lichia no Brasil ainda é sazonal, mas os avanços tecnológicos estão gradualmente transformando essa realidade. Com o uso de técnicas de conservação e processamento, a presença do produto ao longo do ano está se expandindo, abrindo novas possibilidades de mercado.

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