Pesquisa transforma seu papel de mensuração para explicação

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A importância das pesquisas eleitorais vai além da intenção de voto.

Durante uma eleição, a principal questão que surge nas pesquisas é quem lidera as intenções de voto. No entanto, uma pesquisa bem elaborada pode oferecer insights valiosos sobre resistências, motivações e expectativas dos eleitores.

A recente eleição para o governo do Rio Grande do Sul ilustra bem essa dinâmica. Os monitoramentos realizados pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 2026 revelaram uma diferença significativa na candidatura de Luciano Zucco. Enquanto ele já contava com apoio consolidado entre os homens, enfrentava resistência considerável entre as mulheres, que se mostravam mais inclinadas a apoiar Juliana Brizola.

Na segunda quinzena de agosto, as intenções de voto de Zucco eram de 20,7% entre as mulheres, em contraste com 37% entre os homens, resultando em uma diferença de 16,3 pontos percentuais. Essa discrepância indicava não apenas um desafio, mas também uma oportunidade para o candidato.

Para entender essa resistência, foram realizadas pesquisas qualitativas. Os resultados mostraram que o eleitorado feminino não é homogêneo. Mulheres conservadoras, por exemplo, não viam a conexão entre seus valores de direita e o voto em Zucco. Elas buscavam proteção e propostas concretas para questões cotidianas, como saúde, educação, segurança e prevenção de enchentes.

Por outro lado, as mulheres independentes apresentavam um desafio diferente. Embora houvesse descrença na política, havia também um desejo de retomar a confiança. Elas esperavam um governador que entendesse suas dificuldades diárias e que pudesse garantir o funcionamento dos serviços públicos, criando condições para a prosperidade familiar.

Assim, a mensagem era clara: não bastava falar sobre segurança ou desenvolvimento; era essencial demonstrar como essas ideias impactariam a vida das pessoas. A comunicação precisava conectar o candidato com a realidade das famílias, transformando conceitos políticos em benefícios tangíveis. Para muitas mulheres, conquistar o voto exigia, antes de tudo, conquistar a confiança.

Os monitoramentos subsequentes indicaram uma mudança significativa. Na primeira quinzena de setembro, Zucco alcançou 25,5% entre as mulheres, e na segunda quinzena, esse número subiu para 37,3%. Em cerca de um mês, seu apoio entre as mulheres cresceu 16,6 pontos, enquanto entre os homens o aumento foi de 6,8 pontos. A diferença entre os dois grupos caiu de 16,3 para 6,5 pontos.

É importante ressaltar que não se pode afirmar que essa mudança se deu exclusivamente por conta das orientações das pesquisas. As eleições são influenciadas por diversas variáveis. Contudo, a evolução observada estava alinhada com o diagnóstico e as estratégias delineadas durante a campanha.

Esse é um dos principais aprendizados: as pesquisas não servem apenas para indicar a posição do candidato, mas também para entender as razões por trás dessa posição.

Quando conseguimos identificar aqueles que se mantêm distantes, compreender suas motivações e ouvir suas expectativas, os números se tornam mais do que dados estatísticos; eles contam uma história. E é ao compreendermos essa narrativa que a pesquisa se transforma em uma ferramenta poderosa para a tomada de decisões.

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