Alckmin menciona Milei e exige explicações de Flávio Bolsonaro sobre redução de R$ 200 bilhões no Orçamento
Alckmin questiona Flávio Bolsonaro sobre cortes no Orçamento e suas implicações sociais.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) solicitou esclarecimentos ao senador Flávio Bolsonaro (PL) a respeito da proposta de redução de 200 bilhões de reais no Orçamento. Em um vídeo publicado nas redes sociais do presidente Lula (PT), Alckmin indaga sobre a origem da economia prometida e quais setores seriam afetados caso essa proposta se concretize após uma possível vitória bolsonarista nas eleições de 25 de outubro.
Alckmin relaciona a proposta de Flávio a ações implementadas pelo governo do presidente argentino Javier Milei, que têm servido como referência para a equipe econômica do senador. O vice-presidente menciona possíveis alterações nas regras de valorização do salário mínimo, no reajuste das aposentadorias, no seguro-desemprego e na distribuição gratuita de medicamentos.
“Apesar de prometer essa tesourada e afirmar que a Argentina é um modelo a ser seguido, Flávio garante que não pretende cortar benefícios sociais”, ressalta o vice-presidente.
Alckmin também recorda que o governo argentino suspendeu aumentos do salário mínimo acima da inflação e desvinculou o reajuste das aposentadorias do crescimento dos salários dos trabalhadores ativos. Ele menciona ainda as restrições ao seguro-desemprego, a redução das indenizações trabalhistas e a diminuição do número de beneficiários de programas de distribuição gratuita de medicamentos.
Situação da Argentina
A pobreza na Argentina voltou a aumentar sob a administração de Milei, alcançando 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, conforme dados oficiais recentes. A taxa de indigência também subiu, atingindo 7,5%. Este crescimento da pobreza é acompanhado por uma inflação acelerada e uma taxa de desemprego de 7,9%, o maior índice desde 2021.
Especialistas indicam que a precarização do trabalho e o fechamento de cerca de 30 mil empresas desde o início do governo Milei são fatores cruciais para essa retração econômica. O impacto é especialmente severo entre as crianças, com 44,5% dos menores de 14 anos vivendo atualmente em situação de pobreza.
A cobrança de Alckmin surge em meio ao debate sobre o plano econômico do senador, que defende a redução de despesas públicas. A campanha de Flávio afirma que pretende cortar gastos administrativos, reduzir estruturas do governo e combater desperdícios, sem afetar os direitos dos trabalhadores ou os benefícios sociais.
Contudo, Alckmin questiona a falta de clareza sobre como será alcançada a economia de 200 bilhões de reais. “Se ele afirma que vai cortar 200 bilhões e que isso não virá de programas sociais, precisa explicar claramente de onde virá esse corte”, conclui.