China se torna maior mercado de carros do mundo enquanto cidades adotam medidas para limitar uso de veículos
China transforma suas cidades priorizando o transporte público em vez do automóvel.
Parece contraditório, mas o país que mais exporta carros e possui o maior mercado automotivo está projetando bairros onde o automóvel perde o protagonismo em favor do transporte público.
As cidades chinesas estão se afastando do modelo tradicional centrado no uso de automóveis e adotando um novo conceito urbanístico conhecido como Transit-Oriented Development (TOD), ou desenvolvimento orientado ao transporte público.
Esse modelo visa reduzir o uso de carros, diminuir o tráfego e as emissões de poluentes, além de conter a expansão urbana desordenada. A proposta é facilitar o acesso a empregos e serviços, promovendo um ambiente urbano mais sustentável e acessível.
O planejamento urbano sob a abordagem TOD concentra residências, escritórios e comércios nas proximidades de estações de metrô e trem. Com essa estratégia, a necessidade de utilizar o carro para deslocamentos diários diminui consideravelmente, pois é possível acessar diversos serviços a pé ou por meio do transporte público.
Essa abordagem contrasta com o que foi praticado nas últimas décadas, onde as cidades eram projetadas com moradias distantes dos centros e grandes áreas de estacionamento, forçando os cidadãos a dependerem do carro para suas atividades cotidianas.
Além disso, a implementação de estações intermodais, calçadas acessíveis e ciclovias tem se intensificado, promovendo a mobilidade urbana de forma mais integrada e amigável.
Embora o conceito de desenvolvimento orientado ao transporte não seja uma invenção exclusiva da China, sua adoção está ocorrendo em uma escala sem precedentes. Cidades como Curitiba, Copenhague e Tóquio já aplicam princípios semelhantes há anos, mas a China está agora implementando essas ideias de maneira abrangente.
A estratégia se alinha à expansão do transporte ferroviário no país, que inclui milhares de quilômetros de linhas de alta velocidade e extensas redes de metrô em várias cidades. Essa transformação é parte do crescimento acelerado da China desde a década de 1980, quando milhões de pessoas migraram para áreas urbanas em busca de melhores oportunidades.
O modelo TOD tem sido essencial para o desenvolvimento de cidades como Shenzhen, onde novos bairros estão sendo planejados com essa filosofia em mente. Outras cidades, como Xiong’an, foram projetadas desde o início com essa abordagem.
É importante ressaltar que a China não pretende eliminar o automóvel, que continua sendo uma parte vital de sua economia. Contudo, a função do carro dentro das cidades está em transição, passando de um papel central para uma alternativa em um sistema onde o transporte público se torna cada vez mais relevante.
Assim, o paradoxo se estabelece: o país que mais exporta carros para o mundo está criando um ambiente urbano onde o automóvel é menos necessário, apostando em um futuro mais eficiente e sustentável para suas metrópoles.