Viagem de Lulinha e lobista em jatinho de US$ 20 milhões é revelada por fotos
Imagens revelam proximidade entre Lulinha e lobista em viagens e eventos sociais.
Recentemente, imagens foram divulgadas mostrando Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado da lobista Roberta Luchsinger. As fotos, que foram armazenadas na nuvem do celular da empresária, retratam encontros em viagens de jatinho, festas e interações com empresários e membros do governo federal.
A Polícia Federal está investigando a relação entre Luchsinger e Lulinha, levantando suspeitas de que eles atuavam em conjunto para intermediar interesses de empresas privadas junto ao governo. A lobista seria responsável por captar clientes, enquanto Lulinha utilizaria seu acesso a autoridades para facilitar negócios.
Mensagens recuperadas durante a investigação resultaram em três inquéritos relacionados a suspeitas de tráfico de influência. A defesa de Lulinha refuta qualquer irregularidade nas ações de seu cliente.
Uma das imagens mostra Lulinha e Luchsinger em um jatinho Embraer Praetor 600 fretado, durante uma viagem à Finlândia em janeiro de 2025, onde o grupo tinha como objetivo observar a aurora boreal. O custo de um novo jatinho desse modelo ultrapassa os US$ 20 milhões.
Outra fotografia exibe Lulinha e Luchsinger ao lado do empresário Marcelo Checon, que dirige a MChecon Design e Cenografia. Nos últimos três anos, a empresa conseguiu 13 contratos com o governo federal, totalizando R$ 63 milhões, um aumento significativo em relação ao único contrato de R$ 197 mil que possuía antes da posse de Lula em 2023.
Checon e Lulinha se conheceram em 2023 por meio do empresário Fernando Bittar. Além disso, uma quarta imagem captura Lulinha em uma mansão alugada por Luchsinger em Brasília, ao lado de Swedenberger Barbosa, assessor do gabinete pessoal da Presidência. O local era utilizado para festas e reuniões com empresários e autoridades.
A proximidade entre Lulinha e Luchsinger já havia sido evidenciada por mensagens obtidas pela PF, que indicam que a lobista organizou diversas viagens para Lulinha e sua família, incluindo deslocamentos à África em 2024 e à Finlândia em 2025. Um dos roteiros africanos abrangia Moçambique e Botsuana, com um safári e uma escala em Paris, com um orçamento de aproximadamente US$ 20.000 por pessoa.
As conversas recuperadas também revelaram que Luchsinger pagava passagens aéreas de Lulinha em dinheiro e cuidava das despesas relacionadas a ele. Em uma troca de mensagens, discutiram uma viagem para oito pessoas com custo estimado de R$ 100 mil por participante, momento em que Lulinha expressou preocupação com os gastos, questionando a origem dos recursos.
A divulgação das imagens ocorre em meio ao rompimento público entre Luchsinger e Lula. Em entrevista, o presidente negou conhecer a lobista, a qual chamou de “pilantra”. Após um debate presidencial, Luchsinger publicou um vídeo afirmando que o presidente e seus ministros mentiram sobre sua relação com o governo.
Luchsinger também manifestou a intenção de propor um acordo de delação premiada, oferecendo informações sobre supostas irregularidades envolvendo membros do Executivo.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, negou que seu cliente tenha realizado reuniões de negócios com ministros, afirmando que as relações eram meramente sociais, decorrentes de longas amizades ligadas ao Partido dos Trabalhadores. A defesa também ressaltou que as viagens com Luchsinger eram fruto de amizade, desmentindo qualquer irregularidade.
As suspeitas em torno de Lulinha e Luchsinger levaram à solicitação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional. O pedido, apresentado pela deputada Coronel Fernanda, já contava com 83 assinaturas até o dia 19 de outubro, sendo necessário o apoio de 171 deputados e 27 senadores para a instalação da comissão.
O Partido dos Trabalhadores anunciou que já havia reunido 103 assinaturas para outra CPMI, destinada a investigar suspeitas envolvendo Flávio Bolsonaro e outros. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, afirmou que parlamentares do partido também assinaram o pedido para investigar Lulinha e Luchsinger, defendendo a abertura das duas comissões.
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