Aquecimento global provoca contaminação da água da torneira em cidade norueguesa por metais pesados
A contaminação da água em Longyearbyen é reflexo das mudanças climáticas.
O aquecimento global está impactando até as regiões mais frias do planeta. Longyearbyen, localizada no arquipélago norueguês de Svalbard, enfrenta um grave problema: a água da torneira se tornou imprópria para consumo devido ao degelo do permafrost, uma camada de solo que normalmente permanece congelada por longos períodos.
Svalbard é uma das áreas que mais aquecem no mundo. Nas últimas décadas, o aumento das temperaturas alterou o ambiente local, resultando em mudanças significativas que afetam a comunidade, especialmente em relação à qualidade da água potável.
Com uma população de aproximadamente 2.600 habitantes, Longyearbyen registrou, em setembro de 2025, concentrações de manganês na água até 25 vezes superiores ao limite recomendado pelas autoridades de saúde. Embora os níveis de manganês tenham diminuído, a água continua a apresentar quantidades excessivas de níquel e sulfato, o que mantém a proibição de seu consumo.
O problema está diretamente relacionado ao degelo do permafrost. Com o aumento das temperaturas, o descongelamento altera as reações químicas no solo, liberando substâncias presentes nas rochas para a água subterrânea. O abastecimento de Longyearbyen depende de um lago próximo, que recebe água da chuva e de fontes subterrâneas. Quando o permafrost descongela, a composição química dessas águas se altera, dificultando o tratamento necessário para torná-las seguras para consumo.
O solo da região é composto por xisto e pirita, um mineral que, ao entrar em contato com água e oxigênio, pode gerar ácido. Esse processo favorece a liberação de metais pesados, que contaminam as fontes de água doce, mesmo em áreas remotas e pouco povoadas.
Enquanto a situação não é normalizada, as autoridades locais instalaram um reservatório de água potável para garantir o abastecimento à população. Essa medida temporária busca fornecer água segura enquanto são estudadas soluções permanentes para o problema.
O excesso de manganês pode afetar o sistema nervoso, principalmente em exposições prolongadas. O níquel também representa riscos à saúde, enquanto os sulfatos podem alterar o gosto e o odor da água. Entre as alternativas em consideração estão a instalação de um novo sistema de filtragem e a dessalinização da água do lago, embora a implementação enfrente desafios devido às baixas temperaturas predominantes na região.
O prefeito de Longyearbyen destacou que a instalação e a manutenção de estruturas adequadas representam um desafio significativo. A recuperação do abastecimento de água exigirá investimentos substanciais e adaptações às condições climáticas locais.