Citigroup e BCA reavaliam ativos brasileiros após reeleição de Lula
Instituições financeiras reavaliam ativos brasileiros após reeleição de Lula.
O Citigroup e a BCA Research rebaixaram suas recomendações para ativos brasileiros, citando deterioração no perfil de risco após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Este movimento foi observado logo após as eleições, quando o principal índice da Bolsa de Valores do Brasil, o Ibovespa, caiu 13,88%, enquanto o dólar registrou alta de 8,21%, fechando a R$ 5,403.
As instituições financeiras argumentam que a relação risco-retorno para ações, títulos e a moeda brasileira piorou, levando investidores a reavaliar as perspectivas de disciplina fiscal e reformas sob o novo governo. A preocupação gira em torno de uma política fiscal mais frouxa e um avanço lento em reformas econômicas, o que pode pressionar os mercados brasileiros.
O Citigroup decidiu encerrar suas posições otimistas em relação ao Brasil, retirando a recomendação de exposição acima da média em ações e finalizando sua posição comprada no real. A instituição destacou que, embora os preços possam cair além dos níveis justos, o mercado já estava comprado antes do resultado da eleição, o que torna um ‘overshooting’ plausível.
A BCA Research rebaixou sua avaliação do Brasil em relação aos mercados emergentes, afirmando que a vitória de Lula encerra a perspectiva de um governo que poderia implementar melhorias estruturais nas contas fiscais e no potencial de crescimento do país. A recomendação para ações brasileiras foi ajustada de neutro para exposição abaixo da média, devido ao aumento do risco de inadimplência e a perspectivas de crescimento mais fracas.
Além disso, a BCA rebaixou a classificação dos títulos públicos brasileiros em moeda local e do crédito soberano, citando a deterioração da dinâmica da dívida pública como o principal fator para essa mudança. O JPMorgan também já havia ajustado suas recomendações para o real e os títulos públicos, refletindo a nova realidade política e econômica.
REAÇÃO DO MERCADO
Lula foi reeleito com 51,78% dos votos válidos, surpreendendo o mercado que esperava uma vitória do candidato do PL, Flávio Bolsonaro. O resultado levou os investidores a reavaliar as perspectivas para a política fiscal, juros e câmbio no novo mandato, uma vez que muitos esperavam um governo mais disciplinado com as contas públicas.
CIRCUIT BREAKER
Em resposta à queda abrupta do Ibovespa, a B3 acionou o mecanismo de circuit breaker, interrompendo as negociações por 30 minutos. Esse mecanismo é utilizado para conter a volatilidade e permitir que os investidores reavaliem suas decisões, evitando movimentos desordenados no mercado.
A última vez que o circuit breaker foi acionado ocorreu em março de 2020, durante a pandemia de covid-19, quando as interrupções se deram em várias ocasiões devido à turbulência nos mercados internacionais.
INCERTEZA POLÍTICA E FISCAL
A incerteza sobre as decisões fiscais do governo Lula e possíveis questionamentos judiciais sobre o resultado eleitoral também são vistos como fatores que podem impactar os mercados. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, prorrogou o horário de votação em algumas localidades devido a problemas logísticos, uma decisão que poderá ser contestada judicialmente.
Após a derrota, Flávio Bolsonaro indicou a possibilidade de pedir a anulação do pleito ou a cassação da chapa Lula-Alckmin. No âmbito fiscal, o mercado aguarda as próximas decisões do governo, com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciando a intenção de mudar a legislação ou a Constituição ainda neste ano para buscar o centro da meta fiscal, o que poderá esclarecer as regras para o contingenciamento de despesas.