El Niño deve provocar queda de 10% na safra de soja do Brasil, aponta Serasa
Expectativas e desafios marcam a produção de soja no Brasil em 2026.
A produção de soja no Brasil para 2026 é cercada de expectativas e desafios, conforme um estudo recente que analisa os impactos climáticos nas áreas de cultivo do país.
O Brasil se destaca como o maior produtor e exportador de soja do mundo. A pesquisa indica que a área plantada deve aumentar em 900 mil hectares, totalizando 49,9 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 1,8% em relação à safra anterior.
Entretanto, apesar da ampliação na área cultivada, a escassez de chuvas e o aumento das temperaturas podem comprometer a produtividade das lavouras.
As maiores perdas projetadas se concentrariam na região Centro-Oeste. Mato Grosso, por exemplo, poderia deixar de produzir 9,7 milhões de toneladas, enquanto Goiás enfrentaria uma redução de 4 milhões de toneladas.
O levantamento foi divulgado em um momento em que o plantio avança em várias regiões do Brasil, exceto no Sul, onde o excesso de chuvas tem dificultado os trabalhos no campo.
Dados recentes indicam que 40% da área estimada para a soja já havia sido plantada até a última quinta-feira, evidenciando um progresso significativo nas atividades agrícolas.
De acordo com especialistas, o risco climático associado ao fenômeno El Niño está mudando de fase. A preocupação agora se estende não apenas ao plantio, mas também à distribuição das chuvas durante o desenvolvimento das lavouras.
Os produtores têm aproveitado a segunda quinzena de outubro para avançar no plantio, trazendo uma sensação de normalidade em Mato Grosso. Contudo, o risco climático persiste e ainda não é possível afirmar que a safra de 2026/2027 estará isenta de impactos negativos.
Além disso, o clima precisa ser favorável durante o florescimento das plantas e a formação dos grãos nos meses de novembro e dezembro, especialmente em estados produtores essenciais.
Historicamente, na última ocorrência de El Niño forte, a produtividade média da soja brasileira caiu mais de 8%, evidenciando a vulnerabilidade do setor a fenômenos climáticos.
Em um cenário de redução da produtividade, as perdas financeiras para o setor podem atingir R$ 33 bilhões, considerando os preços de agosto. Vale ressaltar que uma oferta menor de soja tende a elevar os preços, o que pode impactar as condições de comercialização.
Os efeitos do El Niño não serão homogêneos em todo o território nacional. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a produção pode aumentar em 5,5 milhões de toneladas, uma vez que o estado costuma receber mais chuvas durante esses episódios climáticos.
No pior cenário projetado, 13 estados brasileiros teriam perdas de produtividade, enquanto quatro unidades federativas poderiam registrar pequenos ganhos. Além de Mato Grosso e Goiás, a redução da produtividade também é esperada em estados como Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão.