Alcolumbre busca apoio da direita com proposta de indulto ou anistia a Bolsonaro para garantir reeleição

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Alcolumbre busca indulto a Bolsonaro em troca de apoio político no Senado.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, planeja propor um indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro em um movimento estratégico para garantir apoio da direita em sua reeleição. Essa ação visa também mitigar a pressão pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A nova bancada de direita, que assumirá em fevereiro, foi eleita com uma plataforma que critica o STF e defende o afastamento de seus ministros, especialmente Alexandre de Moraes, responsável pelo processo que condenou Bolsonaro. Alcolumbre, contrário ao impeachment, busca alternativas para se manter no cargo por mais dois anos.

O plano envolve uma “pacificação do país” entre os três Poderes após as eleições presidenciais. Alcolumbre pretende dialogar com o presidente Lula para discutir um indulto humanitário a Bolsonaro, que se encontra preso desde agosto de 2025 por sua participação em uma tentativa de golpe de Estado. Até o momento, esse tema não foi abordado em conversas anteriores entre os dois.

Alcolumbre comunicou a parlamentares que aguardará o desenrolar das eleições antes de buscar Lula para defender o indulto, um ato que depende exclusivamente do presidente. Aliados sugerem que a proposta deva esperar as repercussões da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil antes de ser apresentada.

Se não houver acordo com Lula sobre o perdão humanitário, Alcolumbre planeja trabalhar para que uma anistia seja aprovada no Congresso. A oposição já pressionou pela votação do perdão nesta legislatura, mas Alcolumbre articulou uma alternativa que permite a redução das penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, já aprovada no final do ano passado.

Esta lei, no entanto, está suspensa desde maio, aguardando uma decisão do STF sobre sua legalidade. Para convencer os bolsonaristas, Alcolumbre acredita que o primeiro passo é persuadir o Supremo a reconhecer a constitucionalidade da dosimetria aprovada pelo Congresso, o que poderia acalmar os ânimos.

Se um projeto de anistia for aprovado, será essencial estabelecer um acordo com Lula para evitar que ele mobilize sua base contra a proposta, o que poderia intensificar as tensões. O objetivo é evitar que o tema centralize novamente o debate no Legislativo e provoque mais divisões na população.

Uma das preocupações de Alcolumbre é garantir que a anistia não permita que Bolsonaro volte a concorrer em eleições futuras. Atualmente, ele está inelegível até 2060 devido à condenação na trama golpista. Há divergências jurídicas sobre a abrangência da anistia, e a intenção é negociar um texto que limite os efeitos apenas à esfera penal.

Com a possível anistia ou indulto, Alcolumbre espera o compromisso da direita em não pressionar mais pelo impeachment dos ministros do STF, concentrando esforços em uma reforma do Poder Judiciário. A avaliação entre seus aliados é que, com a vitória de Lula, o impeachment se tornou menos provável, o que poderia facilitar um acordo.

Embora 49 dos 81 senadores da nova legislatura defendam o impeachment, muitos fazem isso com ressalvas. Para que um afastamento seja aprovado, são necessários 54 votos, ou dois terços do Senado. Alcolumbre concorre à presidência do Senado em 2027, enfrentando dois senadores de oposição, e conta com o apoio da esquerda e do centro, embora precise conquistar mais votos entre os partidos de centro-direita.

O voto secreto pode facilitar dissidências em relação à orientação partidária. Por outro lado, senadores como Rogério Marinho e Tereza Cristina apostam na maioria da direita para derrotar Alcolumbre. O PL, com 29 senadores, e partidos do Centrão, como PP e Republicanos, estão mais alinhados à oposição do que ao governo.

Flávio Bolsonaro, que deixou o Brasil após perder a eleição para Lula e receber uma ordem do STF para entregar seus passaportes, atravessou a fronteira com a família e embarcou em um avião particular para o Equador. Autoridades dos Estados Unidos confirmaram a concessão de vistos.

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