IPO da Anthropic destaca a nuvem no debate antes dos resultados financeiros de Google, Microsoft e Amazon
Anthropic protocolou pedido de IPO em meio a resultados de gigantes da tecnologia.
O pedido de IPO da Anthropic se destaca em uma semana crucial para o mercado de tecnologia, com grandes empresas como Alphabet e Microsoft divulgando seus resultados financeiros. O foco dos investidores e analistas está no documento enviado à SEC, que revela a dependência crescente das empresas de inteligência artificial em relação à infraestrutura de nuvem oferecida por esses gigantes.
O formulário revela que a Anthropic possui obrigações futuras que somam cerca de US$ 417 bilhões com fornecedores de computação, abrangendo contratos que vão de menos de um ano a até 20 anos. A maior parte da receita da empresa provém de clientes corporativos, que utilizam serviços de nuvem de empresas como Amazon, Google e Microsoft. Este cenário levanta a expectativa de que os analistas busquem detalhes sobre as vendas de TPUs e o crescimento do Google Cloud, especialmente na divulgação do balanço da Alphabet.
A repercussão na bolsa foi imediata. No dia anterior ao anúncio, o índice de semicondutores da Filadélfia teve uma alta de 3,6%, a maior em quase um mês, impulsionando ações de empresas como Nvidia e Broadcom, enquanto a Nasdaq avançou 1,18%.
O pedido de IPO, protocolado na segunda-feira, prevê a listagem das ações na Nasdaq sob o código “ANT”. Embora o número de ações e a faixa de preço ainda não tenham sido definidos, o documento aponta que a receita do primeiro semestre foi de US$ 16,3 bilhões, um crescimento significativo em relação aos US$ 1,16 bilhão do ano anterior, superando também os US$ 4,6 bilhões totais de 2025.
A estrutura de receita da Anthropic é predominantemente corporativa e baseada no uso. A receita por consumo representou US$ 13,1 bilhões, ou 80% do total, enquanto as assinaturas somaram US$ 3,2 bilhões, correspondendo a 20%. A base de clientes é diversificada, com nenhum cliente individual respondendo por mais de 10% da receita nos nove meses até setembro.
No segundo trimestre, a empresa registrou um lucro operacional de US$ 974 milhões, marcando o primeiro trimestre positivo nessa métrica. Contudo, o prejuízo líquido no semestre foi de US$ 80,7 bilhões, influenciado por um ajuste contábil relacionado ao valor de notas conversíveis. A Anthropic prevê aumento de custos e continuidade dos prejuízos devido aos investimentos necessários para o crescimento e para se estabelecer como uma empresa pública.
Os resultados do terceiro trimestre não foram incluídos no documento, mas espera-se que sejam apresentados em uma versão revisada antes da definição do preço das ações.
Em relação aos riscos, a empresa menciona possíveis perdas de receita devido a atritos com o governo e com o Pentágono. Além disso, a pressão pública sobre a segurança da inteligência artificial tem aumentado, especialmente após incidentes envolvendo agentes autônomos, o que pode impactar a percepção do mercado sobre a Anthropic e sua concorrente, OpenAI.
A oferta de ações pode ser uma das maiores da história, com estimativas de arrecadação de US$ 100 bilhões ou mais, avaliando a empresa entre US$ 1,5 trilhões e US$ 2 trilhões. O recorde atual é da SpaceX, que levantou quase US$ 86 bilhões. A apresentação para investidores pode começar na semana de 9 de novembro, com a estreia das ações prevista para a semana de 16 de novembro, embora o cronograma possa sofrer alterações.
A estrutura da oferta também é inovadora, permitindo que funcionários e investidores iniciais vendam ações logo no primeiro dia de negociação, ao contrário do bloqueio tradicional de 180 dias. Além disso, se a Anthropic se estabelecer entre as 40 maiores empresas do índice Nasdaq, poderá ser incluída no Nasdaq-100 após apenas 15 pregões, o que exigiria que fundos que replicam o índice adquirissem suas ações.
Com essa movimentação, a Anthropic se antecipa à sua principal concorrente, a OpenAI, que não deve abrir capital antes do próximo ano.